O aftermarket em todo o mundo se submete a uma equação que diz: quando a venda de veículos novos vai bem, o mercado de reposição e reparação vai bem, e quando a venda de veículos novos vai mal, o aftermarket vai muito bem! Acontece que esta equação pode ter problemas se o equilíbrio na venda de novos não se estabilizar em um determinado tempo, correndo o risco de ver o seu ticket médio despencar em função de sucateamento da frota, o que nos descola do perfil da frota mundial e não é nada bom para o mercado brasileiro.
Neste novo cenário pós-Covid parece interessante resgatar estudos de um programa de renovação de frota partindo da reciclagem de veículos, que efetivamente não mais atendem os preceitos legais de segurança, saúde e meio ambiente para continuar rodando, ou mesmo que seus custos de manutenção inviabilizem o uso. Porém, é preciso evitar os erros do passado para permitir o equilíbrio do mercado.
Mas os militantes do aftermarket não precisam ficar preocupados, pois qualquer deliberação nesta direção no Brasil costuma ser lenta e com imbróglios de toda a ordem. Portanto, nos próximos três anos, no mínimo, os veículos em uso necessitarão de muita manutenção e peças, mas é preciso pensar hoje para não ser surpreendido com o sucateamento de amanhã.
Nestes tempos e principalmente com este tipo de assunto é preciso pensar e agir de forma conjunta e não por interesses de canais comerciais, precisamos pensar grande e sair da inércia, deixarmos de ser surpreendidos a cada crise econômica.
Um dos erros cometidos no passado, quando tratamos de renovação de frota baseado na reciclagem de veículos, foi não estabelecer uma linha de corte para definir que condição o veículo deveria ter para ser considerado passível de reciclagem e assim se submeter a um programa de renovação de frota.
Portanto, o tripé “veículo antigo ou mal cuidado”, somado aos “desmontes de veículos regulados pela Lei Federal nº 12.977 de 20/05/2014” e um programa de “inspeção técnica veicular”, é vital para disponibilizar à sociedade um sistema justo e transparente, onde os consumidores ganham, os desmontes de veículos ganham, os comerciantes de veículos seminovos e novos ganham, a indústria ganha, e o aftermarket ganha, pois encontraremos o equilíbrio e um fluxo contínuo em curso.
Finalizando, reforço que o tema da reciclagem de veículos deve ser acompanhado de um programa de inspeção técnica veicular e sua somatória de forças pode impulsionar um caminho mais seguro para renovação de frota de veículos consciente.
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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)