
Luiz Carlos Moraes, presidente da associação das fabricantes de veículos (Anfavea), havia comentado durante a coletiva mensal da entidade que inserir o estoque de veículos nas regras da redução do IPI seria o próximo passo da associação. O desejo se tornou realidade ao fim do dia, com a assinatura do decreto 10.985 e publicação no Diário Oficial da União na quarta-feira, 9.
LEIA MAIS:
> Marcas baixam preços de carros 0 km após redução do IPI
> IPI menor para carros pode abrir caminho para reforma tributária
> Anfavea aposta em redução de IPI para ensaiar retomada
> Para presidente da Stellantis, redução do IPI é alívio, não a solução
> Governo reduz IPI, mas reflexo nas vendas de carros é incógnita
De acordo com o artigo terceiro do decreto, os concessionários deverão devolver as notas fiscais desses veículos em estoque às montadoras, que terão de registrar a devolução e creditar o IPI que incidiu na saída deles da fábrica, após a montagem. Depois, registrar nova saída já com as alíquotas atualizadas.
Novas alíquotas podem ser paliativas
A redução do imposto é vista pela indústria como medida que vai viabilizar mais vendas de veículos, presumindo-se que as novas alíquotas possam promover redução dos preços nas tabelas – algumas marcas já atualizaram os valores, com desntos tímidos. Para a Anfavea, no curto-prazo isso será possível, ainda que o mercado ofereça entraves aos consumidores.
Afora a escalada dos preços dos últimos meses, ainda perdura a falta de automóveis nas concessionárias por falta de peças, provocando atrasos nas entregas. Questões econômicas, como taxa de juros mais alta e inflação, indicadores diretamente ligados ao poder de compra do brasileiro, também tornam ainda mais desafiante a operação comercial no mercado automotivo.
Na segunda-feira, Antonio Filosa, presidente da maior montadora do país, a Stellantis, afirmou que a redução do IPI é um alívio, mas não a solução, uma vez que a redução das alíquotas contracena, sob a ótica operacional das fabricantes, com escalada dos preços dos insumos básicos aplicados na construção veicular, como aço e o petróleo. Para o executivo, a redução do IPI vai frear o aumento dos preços, não derrubá-los.
De qualquer forma, todos os olhares da indústria estão voltados para os números de vendas de março. Será neste mês, segundo a indústria, que serão sentidos os primeiros efeitos da medida decretada pelo governo federal.
