
Segundo ele, a engenharia brasileira tem qualificação para competir globalmente e a nova legislação irá exigir isso das empresas. O executivo também apoia o estabelecimento de metas de redução das emissões de CO2 e garante: “Pretendemos desenvolver novos motores no Brasil, com mais eficiência, para atender as exigências.”
O assunto está em debate no governo, que pretende determinar que a média da frota produzida por cada montadora alcance índice de 135 gramas de CO2 por quilômetro até 2017 (leia aqui). A Anfavea, no entanto, negocia a redução dessa meta. A entidade pleiteia que o limite seja ampliado para 155 gramas por quilômetro com prazo mais longo.
CONSUMIDOR DECIDE
Paulo Cardamone, diretor geral da IHS Automotive South America, que também fez apresentação no simpósio da SAE Brasil, garante que apenas com a exigência de limites de emissões os carros brasileiros poderão competir no mercado global. A consultoria foi responsável por organizar estudo sobre o tema para o governo. Entregue em abril deste ano, o material é uma das ferramentas utilizadas para desenhar a nova legislação.
Para Cardamone, a regulação é um dos principais pontos do novo regime automotivo, com potencial para impulsionar efetivamente a evolução tecnológica na indústria. “Sem isso o Brasil está fora do jogo”, acredita, lembrando que poucas regiões do mundo não contam com regras semelhantes. Ele cita como exemplo a Índia, que adotou recentemente metas de redução nas emissões de gases do efeito estufa para a indústria automotiva.
O consultor afirma que os objetivos de redução nas emissões deveriam ser combinados com a etiquetagem veicular do Inmetro. Por meio do programa, que passaria a ser obrigatório, que o consumidor teria acesso aos dados de eficiência energética dos veículos. “Enquanto falamos de emissão de CO2, o consumidor entende como economia de combustível. Ele passaria a exigir isso”, explica o diretor.
Na visão dele, o melhor caminho seria tornar a eficiência dos motores fator de decisão de compra. Dessa forma, o mercado passaria a se regular mesmo após o fim do regime automotivo, que terá validade de 2013 a 2017. “Depois desse período, o governo deveria cancelar o adicional do IPI para veículos importados de fora do Mercosul e do México”, conclui, apostando que os melhores estímulos ao desenvolvimento tecnológico são regulação e concorrência.
