
Deve ficar para julho a divulgação das regras da próxima fase do Rota 2030, programa que rege o setor automotivo desde 2019. Segundo Marcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, a associação que representa as montadoras, a expectativa do setor era que algo fosse apresentado à indústria em junho, mas outras pautas que surgiram em Brasília (DF) acabaram colocando um freio na tramitação do texto.
Dentre os assuntos que surgiram no caminho está o pacote federal de socorro às montadoras, que monopolizou as atenções de diversas áreas do governo nas últimas semanas. “O texto está bem adiantado, mas não o conhecemos na totalidade”, informou Leite na semana passada, durante evento realizado pela associação das montadoras na capital federal.
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O presidente disse, ainda, que as reuniões foram retomadas e “aconteceram com bastante velocidade nas últimas semanas”, e também justificou o atraso na divulgação da regulamentação citando a mudança de governo no país. “A equipe é nova, tem todo um processo de alinhamento das informações”, completou.
Ainda que o programa seja desconhecido em seus pormenores, sabe-se que ele passou a integrar a lista de discussões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), reativado após sete anos, via decreto, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O conselho tem como responsabiidade aprovar as diretrizes para a implementação de política industriais no país.
De acordo com Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, ministro do MDIC e presidente do CNDI, o conselho será instaurado nas próximas semanas com a participação da Anfavea. “O Rota 2030 já está encaminhado. O debate já começou. Temos várias possibilidades de rotas tecnológicas”, comentou.
A expectativa é de que a nova etapa do programa trate da eficiência energética e adoção de novas tecnologias de propulsão mais limpas. De acordo com fontes ouvidas pela AB, a segunda fase do programa deve impor, via decreto, melhoria de 8% a 12% no consumo de combustível e nas emissões de poluentes dos modelos emplacados por cada montadora.
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Conforme a Associação de Engenharia Automotiva (AEA) já sinalizou, o segundo ciclo do Rota 2030 deve trazer também mudança importante na forma como o consumo de combustível e as emissões de CO2 dos veículos são calculadas. Enquanto, na primeira fase, a medição era feita do tanque à roda, a partir desse ano o objetivo seria computar a pegada de dióxido de carbono do poço à roda, ou seja, levando em consideração a origem do combustível.
Com isso, no lugar de considerar só a rodagem do veículo, entrará na conta também a emissão de CO2 na produção e distribuição do combustível ou energia elétrica, no caso dos modelos eletrificados. Caso a mudança se concretize, o Brasil será o primeiro país do mundo a colocar em prática uma visão mais abrangente da eficiência energética dos carros.
