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Reimer: desafios para a SAE Brasil avançar

A SAE Brasil é uma entidade com organização exemplar, conduzida por dezenas de voluntários com o suporte de um staff permanente de 33 profissionais. Graças a uma bem estabelecida lista de procedimentos a serem obedecidos na gestão, a sociedade exige moderada intervenção de seu presidente, que recebe suporte de um board de diretores familiarizados com as rotinas da administração e estão envolvidos em uma expressiva rede de networking para tomada de decisões. Foi com esses argumentos que Ricardo Reimer, presidente da Schaeffler na América do Sul, convenceu a direção mundial, na Alemanha, de que assumirá, sem maiores restrições a suas funções na empresa, o comando da associação dos engenheiros automotivos.
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paulo

05 dez 2012

5 minutos de leitura

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A partir de 1º de janeiro, o executivo será empossado oficialmente no cargo, substituindo Wagner Galeote, diretor de manufatura da Ford Mercosul, para um mandato de dois anos. Com o caixa da SAE Brasil estabilizado, graças aos resultados do congresso anual promovido em outubro deste ano, a principal tarefa de Reimer será estimular o crescimento da entidade. “Já temos um grande envolvimento de estudantes. Agora é a vez de buscar maior participação dos profissionais da indústria automobilística”, diz. E explica: “Queremos crescer mais que o PIB.”

O principal argumento para atrair novos associados é o ambiente favorável à troca de conhecimento e experiências no campo da tecnologia, colocando em contato direto engenheiros maduros e jovens em fase de consolidação da carreira. A cultura do bom relacionamento está presente em todas as atividades da SAE Brasil, desde as reuniões internas até a realização de eventos como o congresso anual, simpósios e cursos. Há também as atividades específicas para estudantes, como as competições Baja, Fórmula SAE e Aerodesign, que mobilizam centenas de interessados em automobilismo e aviação.

A anualidade para se associar à SAE Brasil é de R$ 210. Muitas empresas costumam pagar uma parcela desse valor, incentivando a participação de seus profissionais nas atividades da entidade. O associado recebe uma assinatura da revista Engenharia Automotiva e tem desconto em todas as atividades pagas, como os simpósios e a apresentação de papersdurante o congresso anual. Informações podem ser obtidas pelo tel. 11 3287-2033.

Uma das prioridades de Reimer é fortalecer o congresso, responsável pela maior parte da receita da entidade (estimada em mais de 70%), sem descuidar dos demais eventos. Ele terá de equacionar a pulverização de simpósios, provocada pela expansão das representações regionais da SAE no País, que enfraquece algumas iniciativas.

A NOVA DIREÇÃO

Engenheiro mecânico e de produção pela FEI, com especialização em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, Reimer iniciou a carreira na Schaeffler em 1981, em São Paulo. Dez anos depois, trabalhou na matriz alemã, em Herzogenaurach. Em janeiro de 2000, tornou-se diretor-geral de operações INA no Brasil e em março de 2004 foi nomeado presidente da Schaeffler para América do Sul, com responsabilidade pelas operações da INA, FAG e LuK.

Na SAE Brasil, o executivo comandará 14 diretorias com 27 executivos. Frank Sowade, diretor da fábrica Anchieta da Volkswagen, será o vice-presidente da entidade. O congresso terá como chairman Roberto Bastian, diretor de logística, CKD e Infraestrutura da Mercedes-Benz do Brasil.

Veja aqui o novo conselho diretor da SAE Brasil para o próximo biênio.

ANO DE INOVAR-AUTO

Reimer admite que o Inovar-Auto, criado pelo governo para disciplinar a evolução do setor automotivo no País, é um programa complexo, que exige constantes releituras, mas traz embutido um enorme incentivo à pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e inovação – atividades que caem como uma luva entre as missões da SAE Brasil. “As empresas relacionadas à indústria automobilística estarão dispostas a reduzir 1,5 a 2 pontos do IPI com iniciativas nesse campo. E vão se esforçar bastante para isso ocorrer”, acredita Reimer.

Para ele, muitas empresas do setor já dispõem de tecnologias avançadas para aplicação imediata em sistemas e veículos. “Basta demonstrar a viabilidade financeira, que será facilitada com a disseminação de novas tecnologias”, afirma. É o caso da Schaeffler, que dirige: “Estamos prontos para acompanhar a evolução do Inovar-Auto”, garante.

Instalada em Sorocaba (SP), cidade que acaba de receber a Toyota, a Schaeffler já detectou dificuldades na contratação de pessoal especializado. “Não é uma exclusividade nossa. Todo o setor automotivo terá de equacionar a contratação de profissionais, possivelmente ajudando na sua formação”, observa, lembrando também que a SAE poderá contribuir nessa tarefa, promovendo a interação entre profissionais e empresas.

Com a carência de engenheiros especializados, os salários sobem no País, chamando a atenção até mesmo da matriz de empresas como a Schaeffler. “É difícil explicar que nossos empregados ganham mais do que os correspondentes na Alemanha”, diz a Reimer, exibindo uma edição da revista Exame que coloca como matéria de capa um artigo sobre a evolução da remuneração do trabalho no Brasil.

CRESCIMENTO DISCRETO

O presidente da Schaeffler no País demonstra otimismo moderado em relação a 2013. Ele analisa que depois de recuar cerca de 30% nas vendas este ano, a indústria de veículos comerciais vai se esforçar na retomada, embora os sinais da economia não sejam os melhores. “A trajetória de implantação do Euro 5 não foi nada satisfatória. Esperávamos, sim, uma queda nas vendas, mas não tão grande. O incentivo do Finame demorou a empurrar o mercado para a frente.” Pelas suas expectativas, as vendas de 2013 no setor de pesados não deve superar as registradas em 2011, ano de recordes.

E quanto aos veículos leves? “Por enquanto, só podemos torcer por um avanço moderado, especialmente se não houver algum estímulo na área do IPI”, analisa.