
Ainda que saia caro, a concessão de incentivos parece ser o único caminho para que o Reino Unido mantenha as dimensões atuais da indústria automotiva local. Sem um acordo de livre comércio, os carros feitos ali vão esbarrar na alíquota de 10% cobrada pela União Europeia para a entrada de veículos fabricados fora do bloco.
A Nissan, uma das poucas marcas estrangeiras a produzir carros na Inglaterra, já avisou que só se comprometerá a fazer novos investimentos na região se tiver garantia de que receberá alguma compensação. Em uma conta simples, a empresa, que exporta £ 2,9 bilhões anualmente do Reino Unido, teria custo adicional de £ 290 milhões para entregar os veículos na Europa. O montante supera o gasto da companhia com salários na região, que somou £ 288 milhões em 2015.
Diante da ameaça, a primeira ministra britânica, Theresa May, assegurou que o governo dará suporte para assegurar que os veículos feitos ali permaneçam competitivos no mercado europeu. Diante disso, a companhia firmou acordo para produzir novos modelos em sua fábrica inglesa. Os detalhes do entendimento entre montadora e governo, no entanto, não foram revelados.
O problema enfrentado pela Nissan se repete em toda a indústria automotiva britânica. A Reuters examinou dados das oito maiores exportadoras de carros, incluindo Mini, Jaguar Land Rover e Honda, e concluiu que estas companhias gastariam em tarifas de exportação mais do que é dedicado hoje a pagar salários dos trabalhadores de suas operações na região. Se o acordo com a Nissan compensou estes custos, o governo precisará encontrar uma maneira de oferecer incentivos equivalentes para as outras montadoras.