
A mudança está em linha com a explicitação de sinais mais fortes de aceleração do crescimento, como esperava o Bradesco. Em todo o relatório há o reconhecimento explícito de melhora (adicional em relação à avaliação anterior) da atividade econômica global e doméstica, sugerindo aceleração ao longo dos próximos trimestres.
Dizem os economistas do Bradesco que em relação à inflação as projeções do BC estão ao redor da meta, como antecipado na última ata. Sob o cenário de referência – no qual os juros e o câmbio são mantidos constantes ao longo do horizonte de análise –, as taxas de inflação para 2009 e 2010 são, respectivamente, 4,3% e 4,6% (ante 4,2% e 4,4% divulgados no Relatório anterior).
Para 2011 (cuja projeção só começou a ser apresentada neste RI), a expectativa é de 4,6%. O banco destaca que não há descolamentos significativos em relação às metas de inflação, mas existe um movimento de deterioração que pode ser intensificado diante da recuperação mais forte da atividade doméstica.
Essas projeções estão associadas a um crescimento do PIB projetado em 5,8% para o próximo ano. Neste sentido, o RI acrescenta a discussão sobre o descompasso entre demanda e oferta, tema que estava adormecido há vários meses e reaparece agora no radar. Na avaliação da autoridade monetária não há restrições significativas para aceleração da demanda, mas aponta dúvidas em relação ao ritmo de expansão da oferta, ainda que o documento reconheça a recuperação e as boas perspectivas para os investimentos.
O Bradesco acredita que nas próximas avaliações o viés para a inflação projetada pela autoridade monetária é altista. A leitura do Relatório reforça a nossa aposta de alta dos juros a partir de abril.