O cenário atual inverteu o fluxo externo de capitais dos fabricantes de veículos no Brasil. Com o efeito multiplicador do dólar em alta sobre o real, vêm aumentando significativamente o volume de recursos injetados pelas matrizes em suas operações brasileiras. O investimento estrangeiro direto (IED) recebido pelo setor cresceu expressivos 55%, de US$ 2,91 bilhões em 2014 saltou para US$ 4,52 bilhões em 2015 – sendo que US$ 2,6 bilhões foram aportados somente em dezembro passado. Com isso, as montadoras formaram o setor industrial que mais recebeu IED pelo segundo ano consecutivo. Os valores vêm sendo usados para pagar novas fábricas, ampliações e modernizações industriais, bem como o desenvolvimento de produtos, em projetos que foram decididos antes da derrocada do mercado.
Na mão contrária, continuaram insignificantes e ainda caíram quase que pela metade os recursos investidos pelas montadoras no Brasil em operações externas, principalmente em unidades na Argentina. O valor total de IED aplicado por fabricantes de veículos no exterior somaram US$ 117 milhões em 2015, uma retração de 43,5% sobre os US$ 207 milhões de 2014.
Seguiram ritmo parecido os empréstimos intercompanhia. As matrizes das montadoras no exterior emprestaram US$ 5,52 bilhões às suas subsidiárias no Brasil em 2015, valor que cresceu 84% na comparação com os US$ 3 bilhões de 2014. No sentido inverso, por consequência, também houve expressivo crescimento das amortizações desses créditos tomados das sedes estrangeiras, que no ano passado chegaram a US$ 3,5 bilhões, em expansão de 104% sobre o exercício anterior.
Veja no gráfico abaixo a evolução das remessas de lucros e dividendos dos fabricantes de veículos instalados no Brasil:
