Apesar do recuo, as montadoras representam este ano o quarto setor que mais envia lucros ao exterior, e surpreendem pelo fato de continuar a fazer remessas quando reclamam que a rentabilidade no País acabou com a queda do mercado. O BC (e muito menos as empresas) não divulga quanto cada fabricante remete para fora, mas o resultado comprova que ainda existem aquelas que conseguem lucrar mesmo em cenário recessivo.
Em 2013 inteiro as remessas de lucros somaram US$ 3,3 bilhões e as montadoras voltaram a ser as campeãs de envios de recursos de exterior entre todos os setores empresariais no Brasil (leia aqui). Ficaram longe do recorde de 2011, quando remeteram US$ 5,7 bilhões, mas essa variação para baixo é plenamente explicada pela valorização do dólar diante do real naquele períoco.
Este ano também caiu substancialmente outro canal de remessa de recursos: os investimentos diretos das montadoras instaladas no Brasil em outros países (essencialmente na Argentina) foram de apenas US$ 69 milhões nos primeiros sete meses de 2014, em queda de 93% sobre os US$ 977 milhões do mesmo período do ano passado. Em 2013 inteiro as remessas dos fabricantes de veículos a título de investimento no exterior atingiram US$ 1 bilhão.
INVESTIMENTOS E EMPRÉSTIMOS
Do lado da entrada de recursos, os investimentos diretos das montadoras no Brasil aumentaram bastante este ano. Somam US$ 1,65 bilhão de janeiro a julho, em alta de 36,7% sobre os mesmos sete meses de 2013 (US$ 1,17 bilhão). No ano passado as fabricantes receberam US$ 1,87 bilhão em investimentos externos, valor 48,6% acima do verificado em 2012.
Além de tomar empréstimos no Brasil e usar caixa próprio, as montadoras estão também trazendo recursos do exterior para bancar seus investimentos no País. Contudo, as cifras são muito inferiores às necessidades anunciadas, já que de 2013 a 2018 os fabricantes de veículos prometem investir mais de R$ 80 bilhões em suas operações brasileiras, ou cerca de US$ 35 bilhões ao câmbio atual, o que daria US$ 5,8 bilhões por ano.
Provavelmente para bancar o comércio internacional com as matrizes, cresceram os empréstimos externos das montadoras às suas subsidiárias brasileiras. De janeiro a julho esses desembolsos totalizam US$ 1 bilhão, valor 25,3% acima do registrado no mesmo intervalo de 2013. Mas os pagamentos desses empréstimos intercompanhias cresceram ainda mais, 101%, para US$ 523 milhões nos mesmos sete meses. Portanto, o fluxo líquido de empréstimos que efetivamente ficou no Brasil nesse período (entradas menos saídas) é de US$ 477 milhões.