logo

Balanço

Remessas de lucros seguem em queda livre

As remessas de lucros e dividendos dos fabricantes de veículos instalados no Brasil às suas matrizes no exterior seguem em queda livre pelo terceiro ano consecutivo. Segundo dados do balanço de pagamentos externo divulgados pelo Banco Central na terça-feira, 26, no primeiro semestre as montadoras remeteram apenas US$ 34 milhões, em expressiva retração de 72% sobre base de comparação já bastante baixa, de US$ 121 milhões no mesmo período de 2015. São valores muito distantes dos bilhões que vinham sendo remetidos desde o início da década até 2013. Recessão econômica, depreciação cambial e a forte contração das vendas no mercado automotivo explicam o cenário.
Author image

pedro

26 jul 2016

2 minutos de leitura

Contudo, o muito já enviado do Brasil para as matrizes estrangeiras em época de vendas aquecidas e dólar depreciado, começou a retornar ao País na forma de investimentos estrangeiros diretos (IED), que vêm aumentando seguidamente nos últimos três anos, especialmente para cobrir os gastos com desenvolvimento de produtos, além de construções e ampliações de fábricas feitas para alimentar um mercado que não aconteceu. No primeiro semestre deste ano os fabricantes de veículos receberam do exterior US$ 2,26 bilhões para custear investimentos, foi o setor industrial que mais recebeu recursos desta natureza no período, em alta de quase 102% sobre o US$ 1,12 bilhão recebidos no mesmo intervalo de 2015. Como o retorno desses aportes foi de apenas US$ 6 milhões de janeiro a junho, o segmento ficou com expressivo saldo positivo de IED de US$ 2,25 bilhões na primeira metade de 2016.

Os empréstimos intercompanhia – que também servem para custear os gastos das filiais – também cresceram bastante no último ano, mas no semestre passado houve retração de 6% nos recursos recebidos das matrizes, de US$ 2,85 bilhões recebidos na primeira metade de 2015 contra US$ 2,68 bilhões no mesmo intervalo de 2016. Mas no sentido inverso a quitação desses empréstimos às matrizes no exterior subiu expressivamente no período, 85,6%, de US$ 1,67 bilhão remetidos de janeiro a junho do ano passado para US$ 3,1 bilhões agora. Com isso, o saldo de empréstimos do setor ficou negativo em US$ 420 milhões, resultado de mais amortizações do que recebimentos.