
Mesmo sem nenhum modelo no portfólio que tenha apelo emocional de sonho de consumo, a Renault conseguiu construir um espaço bastante confortável para si no mercado brasileiro, com produtos da linha Dacia (marca romena pertencente ao Grupo Renault) que oferecem qualidades bastante racionais, como espaço e robustez, por preços abaixo da concorrência. Para Murguet, a tendência é que esse modelo de negócio acelere seus resultados positivos com o novo visual dos dois modelos mais vendidos da marca no País, o sedã Logan, renovado em 2013, e agora com o hatch Sandero (juntos, eles perfazem 63% das vendas). “As vendas do Logan duplicaram após o lançamento”, lembra.
“Com o novo Sandero não esperamos tanto, mas claro que as vendas devem aumentar com um carro completamente novo, melhor equipado e mais barato do que o anterior”, avalia Gustavo Schmidt, vice-presidente comercial da Renault do Brasil. Ele destaca ainda que, além da renovação dos produtos com preços competitivos, o crescimento é sustentado pela forte expansão da rede de concessionárias nos últimos anos, com papel fundamental na conquista de mercado. De 100 pontos de venda em 2010, a marca avançou para 275 hoje e deve chagar a 294 até o fim deste ano, cobrindo 84% do território nacional.
Murguet avalia que os investimentos feitos e a fazer sustentam o crescimento da marca no Brasil nos próximos anos, mantendo a montadora na rota da meta de conquistar 8% de participação até 2016. O programa de R$ 1,5 bilhão, previsto para ser aplicado de 2012 a 2015, terminou um ano antes e um novo pacote de R$ 500 milhões foi anunciado em abril passado, para a produção no País de dois novos carros. “Não temos dúvidas que nossa estratégia de investir vai dar frutos”, diz, apontando para o aumento natural da taxa de motorização dos brasileiros, hoje estacionada em 250 veículos por mil habitantes, enquanto na Europa ocidental esse índice é de 600 por mil.
MERCADO EM MOVIMENTO DE AJUSTE
Olhando para a tendência geral do mercado, Schmidt admite que o ano deverá terminar com retração das vendas. “Imaginamos que daqui para frente haverá recuperação, mas não o suficiente para fechar 2014 com crescimento”, avalia. “A manutenção do IPI nos níveis atuais (leia aqui) serve para evitar que o mercado caia mais. Não esperamos mais nenhuma medida adicional (de estímulo)”, acrescentou.
“O que importa mais é a confiança do consumidor, que subiu um ponto este mês e é um fator determinante para vender. Existe crédito, precisamos é do consumidor confiante para comprar”, lembra Schmidt. “Mesmo assim, provavelmente não será suficiente para fazer 2014 melhor do que foi 2013. Como houve crescimento expressivo nos últimos anos, não vemos nisso uma crise, mas um ajuste natural”, afirma.