
Na Europa, onde lidera o segmento de comerciais leves há 14 anos e em 2013 vendeu 224,8 mil unidades, a Renault tem bem mais do que apenas dois produtos para competir. E por que não ampliar a gama de utilitários no Brasil? “Não vou revelar nossa estratégia de lançamentos, mas claro que vemos aqui diversas oportunidades para outros produtos. A intenção e ter veículos globais com adaptações locais, com lançamentos de modelos atualizados e que cada mercado demanda”, afirma Palomo.
Nesse sentido, o executivo descarta a hipótese de lançar produtos de baixo custo para competir com marcas chinesas, que há tempos tentam explorar o mercado brasileiro com modelos pequenos e baratos. “Não queremos competir com produtos claramente inferiores em qualidade. Se um dia introduzirmos um modelo low cost, será um projeto europeu”, diz.
Palomo praticamente confirmou que a Renault deverá lançar uma picape pequena. “Teremos uma picape, mas ainda não sei dizer exatamente quando”, esquivou-se. No ano passado, circularam informações na imprensa que a Renault estaria preparando para o início de 2015 o lançamento de uma picape derivada do Duster, fabricado em São José dos Pinhais (PR).
RECEITA DO SUCESSO
Em 2013, enquanto o mercado brasileiro de automóveis caiu 2,4%, o de comerciais leves cresceu 2,8%, para 533 mil unidades. Nesse cenário, a Renault aproveitou melhor a expansão, com avanço de quase 10% nas vendas de Kangoo e Master em comparação com 2012. A participação da marca no segmento, que era de 11,7% em 2008, vem evoluindo constantemente há cinco anos e subiu de 19% em 2012 para 22% no ano passado.
Para Gustavo Schmidt, vice-presidente comercial da Renault do Brasil, a receita desse sucesso é baseada em um tripé de fatores: “Temos capacidade produtiva (de 60 mil unidades/ano na fábrica de comerciais de São José dos Pinhais), renovamos a linha de produtos e ampliamos muito a rede”, elenca. De fato, o número de concessionárias da marca no País saltou de 175 em 2010 para 275 em 2013, com meta de chegar a 294 pontos este ano e assim atingir 90% de cobertura nacional. Além disso, no ano passado a empresa lançou as lojas Renault Pro+, especializadas nas vendas de comerciais leves e manutenção dirigida a esses veículos.
“Já estão em operação 53 concessionárias Pro+ e deveremos chegar a 63 este ano”, conta Schmidt. Segundo ele, existem mais concessionários na fila do que licenciamentos disponíveis para a operação exclusiva de comerciais leves da Renault. Todas as lojas no País podem vender esse tipo de veículos, mas as credenciadas como Pro+ ganham mais por unidade vendida, pois também são obrigadas a fazer investimentos para criar espaços exclusivos para a atividade, tanto no showroom como na oficina.
No mundo todo, a Renault tem 520 concessionárias Pro+ e deve acrescentar mais 60 pontos a este número até o fim de 2014. Para Palomo, são boas as perspectivas para este ano: “Esperamos crescimento de faturamento, volumes e market share”, diz. A divisão de veículos utilitários da Renault produz veículos atualmente em sete fábricas no mundo todo (incluindo duas na América do Sul, uma no Brasil e outra na Argentina). Em 2013 as vendas globais de comerciais leves da marca somaram 400,5 mil unidades, em expansão de 7,8% sobre 2012. A participação de mercado caiu um pouco, para 14,5%, mas foi suficiente para manter a Renault como líder global no segmento.
Assista abaixo à entrevista exclusiva de Juan-Jose Palomo a ABTV: