logo

Renault e Nissan devem anunciar reestruturação da aliança “em breve”

Novela, que era para ter sido encerrada em março, pode chegar ao seu capítulo final nos próximos dias
Author image

Marcus Celestino

20 jul 2023

3 minutos de leitura

Imagem de Destaque

Já faz algum tempo que Renault e Nissan vivem uma relação de “família muito unida, e também muito ouriçada”. No entanto, parece que, dessa vez, a reestruturação da aliança entre a companhia francesa e a japonesa deve, enfim, sair do papel. 

Isso é o que diz a agência Reuters, que escutou pessoas familiarizadas com o assunto. Mesmo assim, vale frisar que o mesmo já havia sido dito no longínquo mês de março. À época, as montadoras anunciaram que a Nissan assumiria até 15% da nova unidade de veículos elétricos da Renault, a Ampere, enquanto a francesa reduziria sua participação de 43% na companhia de origem nipônica.


Faça sua inscrição no Automotive Business Experience | Faltam dois meses


Esse cronograma, contudo, foi estendido quando altos executivos da Nissan contestaram detalhes referentes ao acordo. Eles citaram a necessidade de melhor proteger a propriedade intelectual da companhia japonesa.

Dessa forma, o atraso complicou o esforço da Nissan para equilibrar sua relação de décadas com a Renault, construída pelo ex-presidente Carlos Ghosn. Ghosn, aliás, disse em entrevista no início desta semana que a aliança foi destruída “a partir do momento em que ele foi preso”. Vale lembrar que o executivo foi detido no Japão em 2018 sob acusão de má conduta financeira. Por conta disso, o outrora todo-poderoso abriu processo no valor de mais de US$ 1 bilhão contra a empresa em maio passado.

Nissan quer investir menos na Renault, dizem interlocutores

A Nissan trabalha para estabelecer um limite inferior para o investimento estratégico prometido na unidade da Renault. A montadora japonesa pretende aplicar montante abaixo dos 15% estipulados em fevereiro, comentaram fontes à Reuters.

Embora o tamanho do investimento dependa do valor da Ampere, a Nissan provavelmente ficará com menos de 10% de participação na divisão de carros elétricos da Renault.

E o que as duas companhias dizem? “A Nissan e a Renault estão em negociações construtivas e contínuas. Faremos uma declaração a seu tempo, quando os acordos forem concluídos”, afirmou a empresa japonesa em um comunicado. Já a montadora francesa se recusou a comentar. No entanto, garantiu que pretende listar a Ampere em uma oferta pública inicial no primeiro semestre de 2024.

Além de toda essa trama digna de folhetim mexicano e de um dorama sul-coreano, as conversas entre Renault e Nissan travaram por conta de outro problema envolvendo a companhia japonesa. O conselho da Nissan teve de lidar com uma alegação de que o CEO Makoto Uchida realizou vigilância de seu então vice, Ashwani Gupta, depois que o último se opôs a alguns termos da nova parceria com os franceses.

Gupta, que era diretor de operações e visto como favorito ao cargo de CEO da Nissan, acabou deixando a empresa em junho. O conselho ainda não ouviu o relatório final sobre a alegação de vigilância.

Ao encerrar a novela com a Renault, os executivos da Nissan terão a oportunidade de se voltar para outros desafios, incluindo uma atualização da estratégia de médio prazo e uma mudança de abordagem em relação à China, onde as vendas da empresa, assim como de outras montadoras globais, estão em declínio. Será que essa grande família nipo-francesa chegará a um final feliz? Essa nem Agostinho Carrara, personagem interpretado por Pedro Cardoso, se arriscaria a responder.