O material inclui buscas em fábricas da montadora, entrevistas com representantes da companhia e o resultado de testes independentes que indicam discrepâncias entre os dados oficiais e as medições em situações reais de condução. Em comunicado, a fabricante de carros assegura que seus produtos cumprem a legislação europeia.
Após o dieselgate, autoridades europeias começaram uma série de testes para verificar se as empresas cumpriam a legislação de emissões. Foi nesse processo que a suposta irregularidade foi encontrada em modelos da Renault. Há uma exceção nas normas da região que permite que o sistema de pós-tratamento de gases EGR presente nos motores diesel modernos seja desligado em alguns momentos para proteger o motor.
A tecnologia, combinada com o uso de turbocompressores, causa aquecimento excessivo e, portanto, tem autorização para ser desligada por um momento quando o propulsor atinge certa temperatura. O recurso, no entanto, só pode ser utilizado quando há risco para o motor. Dessa forma, diferentemente do que fez a Volkswagen, que instalou software para reconhecer quando o carro está em teste e reduzir o nível de emissões apenas nestes casos, a Renault pode estar abusando desta brecha na lei.
FIAT CHRYSLER TAMBÉM ESTÁ NA MIRA
A Renault é a primeira montadora a enfrentar investigação criminal na França por causa de irregularidades em motores diesel. Ainda assim, há outras empresas na mira das autoridades. A Fiat Chrysler sofre acusação de vender no país carros que superam em 14 vezes o limite de emissões permitido. O caso está sendo apurado pelas autoridades. A Opel também já precisou se explicar por causa de problema semelhante.