
A Renault confirmou na quinta-feira, 17, que está trabalhando ativamente sobre o futuro de sua governança em resposta ao ministro francês de Economia, Bruno Le Maire, que um dia antes pediu que a empresa, da qual a França é o maior acionista com 15% do capital, convoque o conselho para tratar da substituição de Carlos Ghosn, presidente global e do conselho que foi preso sob a acusação de sonegação fiscal entre outras irregularidades na Nissan, com quem a Renault mantém uma aliança global.
O executivo é acusado de fraude fiscal na Nissan. Com sua prisão, a empresa decidiu pela sua saída do cargo de presidente, o que também foi feito pela Mitsubishi. Apesar disso, a Renault manteve Ghosn no cargo de presidente e na ocasião de sua prisão, nomeou um presidente interino, o número dois da montadora francesa, Thierry Bolloré. No entanto, para o governo francês, a prisão deve se prolongar por pelo menos várias semanas, o que impossibilitará o executivo de exercer suas funções.
Em comunicado, a montadora informa que o conselho de administração “tomará as decisões impostas desde que sejam reunidos os elementos necessários e, enquanto isso, a empresa funciona normalmente sob a responsabilidade da direção atual”. O comunicado é assinado pelo administrador responsável, Philippe Lagayette, e o presidente do comitê de nomeações, Patrick Thomas, que estão preparando as mudanças com a intenção de “defender os interesses da empresa e reforçar a aliança Renault-Nissan”.
Filho de libaneses, nascido no Brasil e com cidadania francesa, Carlos Ghosn continua preso em Tóquio desde 19 de novembro. Ele foi indiciado formalmente pela promotoria do Japão no início de dezembro sob alegação de que o executivo deixou de declarar ao fisco japonês metade dos pagamentos recebidos como CEO da Nissan entre 2010 e 2015, algo equivalente a US$ 43 milhões.
O executivo também é acusado de repassar gastos pessoais à Nissan, além de usar bens da empresa em benefício próprio, como na compra e reforma de imóveis de luxo em pelo menos quatro países, entre eles, um apartamento em área nobre do Rio de Janeiro.
Na terça-feira, 15, o Tribunal do Japão negou um pedido de liberdade sob fiança. Pela lei local, com essa decisão, ele permanecerá preso pelo menos até 10 de março