
O anúncio veio após o Ministério do Meio Ambiente na França declarar na terça-feira, 19, que resultados preliminares de testes com motores a diesel da Renault e de outras montadoras apontam para o descumprimento de normas de emissões. A ministra Ségolène Royal havia ordenado a inspeção de veículos de oito marcas em setembro após o estouro do escândalo de fraude da Volkswagen que admitiu ter equipado 11 milhões de motores a diesel com um software capaz de alterar os resultados dos controles de emissão.
Cem veículos foram escolhidos aleatoriamente e de todas as principais marcas de automóveis para comparar suas emissões reais com os resultados dos testes apresentados por eles em laboratórios, o que incluiu 25 carros da Renault. Os testes franceses revelaram que alguns modelos, sobretudo da Renault, superavam os níveis autorizados de CO2 e de NOx, mas não detectaram a utilização de programas fraudulentos como o utilizado pelo Grupo VW. Além da Renault, o governo francês está testando carros da Peugeot, Citroën, Volkswagen, Mercedes-Benz, Ford, Opel (braço europeu da GM), Toyota e BMW. Posteriormente, serão avaliados carros da Nissan, Volvo, Suzuki e Fiat.
Segundo a Renault, o recall será limitado a versão do Captur de 110hp. “Estamos a cumprir as normas e não estamos tentando enganar o consumidor”, disse Thierry Bollore, o segundo no comando da Renault, abaixo apenas do CEO Carlos Ghosn. “Nós concordamos que a nossa posição não é satisfatória, mas somos os primeiros a admitir que temos espaço para melhorar”, afirmou.
A empresa irá detalhar os ajustes do recall em março, mas começará a oferecer as atualizações do software apenas em julho.
Bollore já havia anunciado no mês passado que a montadora estava reforçando seus investimentos para melhorar o desempenho de emissões de NOx. A empresa destinou € 50 milhões (US$ 54 milhões) para atualizar seus motores a diesel e outros € 1,5 bilhão para acelerar o desenvolvimento de sua próxima geração de cinco para três anos.