
A Renault já vende desde dezembro o Captur brasileiro na Argentina e deverá exportá-lo de sua fábrica de São José dos Pinhais para oito outros mercados da América Latina. No Brasil começou esta semana a fase de pré-venda, é possível agendar test-drives com o modelo em 80% das concessionárias da marca no País. As primeiras entregas no Sul e Sudeste devem ser iniciadas semana que vem e a fabricante afirma que a partir de 10 de março toda a rede estará abastecida.
Para o lançamento, a marca aposta em usar o design elegante do Captur para “colar” uma imagem sofisticada ao modelo. Como parte da estratégia para atrair público que compra carros mais caros do que os até hoje oferecidos na rede de concessionárias, foi criada a Maison Renault em um dos endereços mais luxuosos de São Paulo. Onde existia um posto de gasolina desativado na badalada Rua Oscar Freire, foi construída em 40 dias uma grande estrutura provisória para abrigar uma série de ações de marketing até 12 de março, que devem receber 10 mil pessoas com a realização de 48 eventos entre exposições, shows e degustações gastronômicas.
O Captur inaugura no Brasil uma ofensiva de lançamentos de SUVs (ou algo parecido com isso) da Renault, que inclui o compacto popular Kwid e o Koleos, de maior porte, que virá importado da Coreia ainda neste semestre. “Investimos no segmento que mais cresce no País, que passou de 6% do mercado em 2014 para 15% no ano passado. Temos certeza que é a aposta certa”, justifica Fabrice Cambolive, presidente da Renault do Brasil.

Apesar de ser uma adaptação sobre plataforma antiga, o Captur traz em seus traços a mais recente identidade visual mundial da Renault, desenhada em regime de cooperação pelos cinco centros de design da marca no mundo, incluindo um instalado em São Paulo. A nova geração do Captur europeu, que será apresentada no Salão de Genebra em março, também trará os mesmos traços, que incluem luzes diurnas (DRL) abaixo dos faróis e lanternas traseiras de LED, além de grade dianteira redesenhada com o losango da Renault fixado em uma haste alinhada com os faróis. Para fazer a nova pintura bicolorida do novo modelo, foram investidos € 4,5 milhões da fábrica de São José dos Pinhais (PR), para instalar um novo processo robotizado que pinta cada carro em 1 hora e 50 minutos.
Para desenvolver o Captur brasileiro, a engenharia da Renault trabalhou 720 mil horas e rodou 1 milhão de quilômetros com 150 veículos de testes em seis países. “O carro tem poucas partes do Captur europeu e a plataforma do Duster também foi bastante modificada. Foi um desenvolvimento novo feito no Brasil, que liderou o projeto do carro a ser fabricado também na Rússia e Índia”, afirma Antonio Fleischmann, diretor de projeto Américas.
PREÇOS
O Captur também inaugura uma nova configuração de versões, que aos poucos será estendida para os demais modelos da Renault no País. Serão só duas nomenclaturas, começando com a versão Zen, equipada com câmbio manual e o novo motor 1.6 SCe – o mesmo que desde o fim do ano passado é usado por Sandero e Logan, mas recalibrado com um pouco mais de potência, de 118 para 120 cavalos abastecido com etanol. Esta versão parte de R$ 78,9 mil e assim deve ser forte concorrente em preço do Nissan Kicks, que tem tamanho e motorização assemelhados.
Opcionalmente, o Captur Zen pode receber a central Media Nav, com sistema de som, conexão com celular, navegador e câmera de ré por R$ 1.990. Pintura em duas cores custa mais R$ 1,4 mil. Dentro de três meses a Renault promete oferecer a opção de transmissão automática CVT em conjunto com a motorização 1.6.
A versão topo de linha agora é chamada de Intense, equipada com um ultrapassado e pouco eficiente powertrain importado da França, motor flex 2.0 de 148 cavalos (etanol) e câmbio automático de apenas quatro velocidades. O preço parte de R$ 88.490 e pode chegar ao teto de R$ 91.390 se forem agregados bancos revestidos com couro (R$ 1,5 mil) e pintura bicolorida (R$ 1.4 mil). Pelo monitoramento do público-alvo imaginado para o Captur, a Renault calcula que esta versão será responsável pela maioria das vendas do modelo, dominando de 75% a 80% do mix, mas isso até a chegada da opção 1.6 CVT, que deverá roubar muitos clientes desta versão.
COMPLETO

A plataforma do Captur nacional pode ser antiga, mas a Renault garante que fez diversas modificações na adaptação em relação ao Duster, incluindo uma nova suspensão. Também aparelhou o carro com uma moderna arquitetura eletroeletrônica que conta com 13 computadores para controlar muitos equipamentos de série que aumentam eficiência, conforto e segurança. O pacote é bem completo desde a versão mais barata, incluindo quatro airbags (frontais e laterais), cintos de segurança com pré-tensionador pirotécnico, freios com ABS/EBD e controle eletrônico de estabilidade e tração (o ESP fabricado no Brasil pela Bosch), assistência de partida em rampa, direção eletro-hidráulica, assistente de frenagem de emergência, ancoragem Isofix para cadeirinhas de crianças, ar-condicionado, acionamento elétrico de vidros, travas e retrovisores com rebatimento, rodas de liga leve de 17 polegadas.
A grande vantagem de ter sido adaptado sobre a ampla plataforma do Duster é que o Captur brasileiro ficou maior e confortável. Ele é 20 centímetros mais longo, cinco mais alto e quatro mais largo do que o modelo europeu lançado em 2013. O porta-malas de 400 litros é o maior da categoria. Esse arranjo sobre a base de baixo custo da Dacia trouxe qualidade competitiva ao novo SUV: a Renault garante que o Captur é o mais espaçoso dos SUVs compactos já lançados no mercado brasileiro, assim como é o que tem a carroceria com maior distância do solo e posição de dirigir elevada.
O posicionamento de mercado do Captur fica acima do Duster, que parte de R$ 65 mil com motor 1.6 (a versão que responde por 85% das vendas do modelo) e chega a R$ 84 mil com o mesmo powertrain 2.0 e câmbio automático usado no Captur. Por isso os executivos da Renault avaliam que não haverá canibalização entre os modelos. O Captur, por enquanto, não será oferecido com tração 4×4, como já acontece em outros mercados. Esta opção ficará restrita ao Duster, mas a montadora não descarta essa possibilidade. Se houver demanda, a engenharia garante que está preparada para fazer.
