
Em relação à percepção sobre o Mondial de l’Automobile, Stoll comentou que há dois anos o clima de crise era muito presente. No entanto, embora fosse um momento ruim para o velho continente, a Renault estava em boa fase porque começava a renovação de seu portfólio e seguia seus planos em mercados como Índia e Brasil. “No entanto, claro que agora é melhor. Estamos mudando o rosto da Renault na Europa e isso é muito positivo”, disse. De acordo com Carlos Ghosn, a recuperação do mercado europeu não deve ser tão rápida como dos Estados Unidos, mas acontecerá em ritmo de 2% a 3% ao ano.
A tranquilidade não é a mesma quando se fala em Brasil, mas Jérôme Stoll acredita que, quando investe e decide estar em países que ainda não possuem economia estável, é necessário estar preparado. “Anos complicados e oscilações são sempre esperados. Não mudamos nossos planos porque tudo é planejado com muita antecedência e sabemos que é possível que haja períodos de crise. Já passamos por isso antes. Temos confiança de que será apenas uma fase”, espera Stoll.
DESTAQUES
Em um estande que chamava a atenção pela criatividade de suas linhas arredondadas, com pequenas colinas criadas no piso e bolas no teto que mudavam de cor e se movimentavam em coreografia, lembrando movimento do mar, o brasileiro Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan, contou em francês os detalhes do novo Space, crossover que há 30 anos reinventou o espaço e pretende fazer o mesmo – ou mais – agora.
O modelo, com cinco ou sete lugares, é 20% mais econômico, seguindo a tendência de lançamentos com redução de consumo. Feito na nova plataforma CMF (Common Module Family), possui interior com bancos confortáveis, cabine futurista, sistema multi-sense – que coordena as diversas tecnologias de direção -, e pode ser puxado pelos motores Energy TCe e dCi de 130 cv a 200 cv.
Já o conceito híbrido Renault Eolav é o extremo quando se pensa em sustentabilidade. Faz 100 quilômetros por litro e utiliza materiais como aço, alumínio e magnésio para reduzir seu peso em 250 kg em relação ao Clio. Segundo previsões da marca, deve estar à venda em 2020.
TECNOLOGIA
Ghosn admitiu que, para conseguir a liderança ecológica na Europa, a empresa teve de ser corajosa e investir muito em veículos elétricos. Ele admitiu que a empresa não está satisfeita com o volume de vendas destes modelos, menor do que o previsto, “mas isso não é negativo, apenas mostra que queremos sempre mais”, comentou.
O executivo ressaltou que a aliança não foca apenas em veículos elétricos, mas também pesquisa e desenvolvimento de outras opções, como híbridos, novas tecnologias de redução de consumo para motores diesel e combustíveis alternativos, já que cada mercado tem suas leis e peculiaridades. “A comercialização dos carros elétricos não depende apenas da montadora. Não adianta o cliente comprar o modelo se não tiver como abastecê-lo nas ruas ou estradas. É por isso que vamos continuar tentando eliminar os obstáculos e fazendo lobby para que possamos ver cada vez mais esse tipo de carro nas ruas”, avisa.
