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Agência Estado
A rapidez com que se esgotou uma linha de crédito do Banco do Brasil voltada para a renovação de canaviais revela como o setor está faminto por financiamentos. “Os empréstimos saíram que nem pão quente. Fizemos 981 operações, o que mostra que há uma oferta reprimida bem grande”, resumiu o gerente executivo da diretoria de agronegócios da instituição, João Pinto Rabelo Junior.
De acordo com o gerente, desde junho foram captados R$ 145 milhões para esse fim. “Esta é uma quantia grande para o pouco espaço de tempo. Saiu bem rápido, mais do que esperávamos. Afinal, o ano nem acabou”, considerou. “Só não fizemos mais contratos porque não tínhamos mais funding”, acrescentou. A fonte dos recursos é a parte dos depósitos à vista que precisa obrigatoriamente ser direcionada para a agricultura (28%).
A linha disponibilizada pelo BB, que também pode ser encontrada em outras instituições financeiras, é de R$ 1 milhão por tomador, mas exclusiva para produtores pessoas físicas. O financiamento conta com juros de 6,75% ao ano e pagamento em cinco anos, com prazo de carência de 18 meses.
Demanda de pessoas jurídicas
Rabelo Junior salientou, porém, que a maior demanda por esse crédito é de pessoas jurídicas. Por isso, produtores não entendem por que, até agora, um empréstimo também divulgado no Plano Safra 2011/2012 ainda não saiu do papel. O crédito é similar ao das instituições financeiras para esse fim e seria ofertado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Até o momento, no entanto, os recursos não foram disponibilizados para os produtores. “A grande vantagem da linha do BNDES é a de que seria voltada para pessoas jurídicas.”
O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues, mostrou pessimismo com a liberação de crédito para o financiamento de renovação de canaviais por parte do governo. Para uma plateia formada por representantes das principais usinas e grupos sucroalcooleiros do País, em Piracicaba (SP), Padua afirmou que a renovação dos canaviais das companhias segue bancada por elas próprias; e ratificou: “Dinheiro público para isso só mesmo para a safra 2013.”