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Renovação do Ecosport marca nova fase da Ford no Brasil

Com carros globais as fabricantes de veículos cortam custos e têm produtos atualizados em diversos mercados. O novo Ford Ecosport vai por essa linha. A ideia da companhia é vender o SUV compacto em mais de 100 países. O carro é baseado na plataforma do New Fiesta e, ao menos para o mercado latino-americano, será produzido na fábrica de São Bernado do Campor (SP). A partir do fim do ano a unidade também será responsável pela fabricação do New Fiesta.
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Redação AB

06 ago 2012

6 minutos de leitura

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O novo Ecosport é totalmente diferente de sua primeira geração, que teve 700 mil unidades produzidas. A versão anterior, baseada na plataforma do atual Fiesta Rocam, atingiu não apenas a liderança do mercado como também criou um segmento no Brasil. O modelo sofreu em seus primeiros anos com problemas de projeto. Uma reclamação clássica dos donos era a respeito dos ruídos provocados pelo acabamento e pela tampa do porta-malas. A geração atual passa a impressão de um veículos maduro e bem-construído.

Os preços da nova versão do SUV compacto partem de R$ 53.490 na configuração S. A meta da Ford é retomar a liderança do segmento, condição ocupada atualmente pelo Renault Duster, com 4,1 mil unidades emplacadas no último mês. Apesar de não divulgar as metas de vendas, a montadora afirma já ter 2,5 mil unidades do modelo reservadas antes mesmo do lançamento. Uma vantagem do Ecosport para retomar a liderança é justamente ser mais moderno, tanto mecanicamente quando no visual, do que o seu rival franco-romeno. Nessa briga, a Ford aposta suas fichas na versão Freestyle, que deve responder por 50% do mix de vendas.

Novo

BONITO POR FORA

As linhas externas do novo Ecosport são robustas e passam a impressão de força. Há elementos refinados, como as lanternas diurnas de LEDs, item de série em todas as versões. Outros dispositivos que agregam valor são direção elétrica, ar-condicionado, travas e espelhos elétricos, freios ABS, airbag duplo e sistema multimídia Sync, que permite conectividade com dispositivos USB e celulares.

O acabamento interno é de boa qualidade e em muito lembra o New Fiesta. As unidades testadas, pré-série, ainda apresentavam pequenas falhas, como vãos na carroceria. A expectativa é de que esses defeitos não sejam replicados pelas unidades de produção.

Sobre o processo de fabricação do carro, Alexandre Machado, chefe de engenharia do Ecosport, afirma que houve alguns desafios. “Duas das principais dificuldades foram adaptar a carroceria para diminuir o ruído decorrente do atrito com o ar e também fazer com que os motores tivessem desempenho similar tanto com etanol quanto com gasolina” explica. O Ecosport tem duas opções de motor: 1.6 16V Sigma de até 115 cavalos e o 2.0 Duratec com potência máxima de 147 cv. Um dos resultados desse esforço é o coeficiente aerodinâmico de 0,365, número 11% melhor do que o do Ecosport antigo.

Para Machado, uma das vantagens de um projeto global é justamente a troca de tecnologias. “Houve grande interação entre os engenheiros da Ford no Brasil com os de outras filiais. No fim das contas, o alto grau de exigência ajuda na melhoria da qualidade. Um dos exemplos disso é o uso de aço de alta resistência na carroceria” explica.

Em relação às diferenças entre a geração anterior, Machado afirma que o projeto atual é fruto de um trabalho mais elaborado. “Não se trata de uma adaptação. O novo Ecosport foi pensado do zero, não uma criação em cima de um carro já existente. Desenvolver o modelo demandou, por exemplo, extensa modernização dos processos produtivos da fábrica de Camaçari, com a adoção cada vez maior de robôs”, explica, sem citar o valor exato investido.

R$ 4,5 BILHÕES NA AMÉRICA DO SUL

Uma pista sobre o quanto foi investido na fábrica baiana da Ford vem do gerente geral de marketing da empresa no Brasil, Oswaldo Ramos. “Nas fábricas de Camaçari, São Bernardo, Pacheco (Argentina) e na planta da Troller no Ceará, a Ford investiu R$ 4,5 bilhões”, afirma. A produção de Ecosport na fábrica brasileira irá abastecer toda a América Latina.

Ramos afirma que a disponibilidade do carro em outros mercados dependerá da demanda. “Enquano na América do Sul o Ecosport é um produto forte, há mercados como o europeu onde ainda estamos analisando a sua viabilidade. Alguns outros já mostraram interesse, como a Índia. O carro é um projeto global e que traz novas tecnologias. Prova disso é que ele será o primeiro carro fabricado no Brasil a ter câmbio automatizado de dupla embreagem”, diz, se referindo ao lançamento da versão 2.0 equipada com a transmissão Powershift, de seis marchas, uma das novidades que a montadora prepara para o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro. Na Europa, o útilitário compacto da marca é o Kuga (leia aqui).

De acordo com Ramos, um dos desafios para formular a estratégia de mercado para o novo Ecosport era definir se o antigo permaneceria ou não para brigar com o Renault Duster. “Decidimos por encerrar a produção. Como o Ecosport é um carro de imagem, manter uma versão defasada apenas para ser mais barata não faria sentido. O consumidor do utilitário quer justamente um carro que represente uma tendência e seja moderno. Não nos preocupamos apenas com o número de vendas e com posição do mercado, mas sim com a satisfação dos nossos clientes”, aponta.


IMPRESSÕES

A boa impressão deixada pelo exterior é comprovada ao conduzir o novo Ecosport. Em relação à geração anterior, é notável a dirigibilidade mais refinada, o que comprova que o carro não se trata de uma mera adaptação. O conforto ao rodar se mescla com um comportamento mais previsível e estável. A carroceria rola menos em curvas do que a geração anterior, o que melhora a sensação de segurança dos ocupantes.

Na hora de acelerar, vale uma ressalva para o modelo equipado com o motor 1.6 16V Sigma. Esse propulsor, que é eficiente no New Fiesta, é levado ao limite quando está movendo o Ecosport. Com quatro ocupantes dentro do carro, o motorista é obrigado a trabalhar melhor as trocas de marchas para manter o embalo do SUV.

Quando equipado com o propulsor 2.0, o Ecosport tem desempenho mais agradável. De funcionamento suave, o motor Duratec passa mais confiança tanto nas subidas quanto em ultrapassagens, o que se converte em segurança. A 120 km/h, o conforto a bordo é maior do que na versão menos potente, já que o motor gira próximo dos 3 mil rpm e, portanto, com menos barulho do que o 1.6 16V Sigma.