A perda de competitividade dos produtos da nossa indústria automotiva, veículos e autopeças, no exterior começaram a ser sentidos em 2006. Após o recorde de 900 mil veículos exportados em 2005 iniciamos a ver uma contínua redução anual nos volumes que vai culminar, neste ano de 2009, em uma queda superior a 50% daquele volume histórico.
Naquele 2006 eu escrevi dois artigos que alertavam para os riscos que corríamos. Em 18 de Abril sugeri um elenco de ações para “Recuperar a Competitividade” perdida frente a um Real forte, que havia vindo para ficar, pois competir via câmbio era um instrumento ultrapassado. Pouco depois, em 1o. de Junho, escrevi na Revista da SAE o artigo “Cheque Especial no porta-luvas, Custo Brasil no porta-malas” onde completava minha opinião com outras sugestões do Instituto Global McKinsey de remoção de barreiras estruturais e não-estruturais que nos distanciavam então das economias mais desenvolvidas e que hoje mais evidentes estão.
Em outras palavras, o que hoje está acontecendo com todo o setor manufatureiro brasileiro já vinha ocorrendo conosco desde os primórdios de 2006. E como nada foi feito desde então para evitar a perda de importantes mercados externos duramente conquistados pela indústria automotiva brasileira, é sem surpresa alguma para nós que o Brasil caminhe a passos largos para ser novamente um mero exportador de commodities.
Recente reportagem do OESP, no dia 18/9, estampava que “Não é nenhuma maldição ser exportador de commodities”, ainda mais agora que o novo programa de produção de petróleo no pré-sal vai nos levar a uma maior dependência dos produtos primários.Entretanto deixava bem claro que a volatilidade dos preços internacionais das commodities torna perigoso depender em muito desses produtos. Exemplos da década de 30 quando qualquer queda no preço do café nos jogava em profunda recessão, ou de agora na Venezuela com sua forte dependência do preço do barril de petróleo, são claras lições de que perder o foco na exportação de manufaturados é erro estratégico para a estabilidade da economia brasileira.
Estudos atuais comparando o custo de manufatura de peças automotivas em países de baixo custo, para fornecimento aos Estados Unidos (custo 100), mostrava México (custo 78), Índia (custo 80), China (custo 89) e o Brasil fora dessa concorrência com custo 12% acima do americano. Detalhe: Esse estudo ainda não havia levado em conta os recentes acordos com aumento real dos salários, e a inexorável PEC geradora de empregos que vai reduzir a jornada de trabalho onerando o custo das empresas em míseros (segundo disse o Ministro do Trabalho) 2,29%.
Só nos resta reiterar que reduzir o Custo Brasil e insistir nas Reformas Trabalhista e Tributária são medidas imperiosas que devem ser tomadas para recuperar o terreno perdido no mercado internacional com nossos produtos manufaturados. Ou vamos ficar de braços cruzados vendo nossa indústria perder competitividade até ficar obsoleta?
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21 de setembro de 2009