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Pedro Kutney, AB
Começaram a fazer efeito as medidas adotadas pelo Banco Central para restringir os planos de financiamento de automóveis mais longos e sem entrada. No mesmo mês em que foi registrado o recorde histórico de emplacamentos de carros zero-quilômetro, em dezembro houve sensível retração das consultas para abertura de crédito ao banco de dados da Serasa Experian por parte do segmento de comércio dedicado à venda de veículos novos e usados.
Enquanto a média geral do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio cresceu 2,9% em dezembro na comparação com o novembro, as consultas do setor de peças, veículos e motos recuaram quase 1% no período, após meses de expansão contínua. Também houve queda, de 0,7%, em relação a dezembro de 2009 – foi o único recuo aferido neste comparativo entre os seis segmentos que fazem parte do índice, que na média avançou 12,8% sobre o mesmo mês do ano anterior.
A queda nas consultas do setor ficou bastante concentrada em dezembro e mostra uma freada brusca no mês, pois no acumulado de 2010, em comparação com 2009, houve crescimento de quase 11%, um pouco acima da média geral, de 10,3%, e o terceiro melhor desempenho entre os seis setores – só perdendo para material de construção (17%) e móveis, eletroeletrônicos e informática (14,9%).
O tombo nas consultas do comércio de veículos foi justamente no mês em que entraram em vigor as restrições baixadas pelo BC, que encareceram os financiamentos acima de 24 meses e sem entrada com a exigência de mais garantias e depósitos compulsórios maiores nesses casos por parte das instituições financeiras. O BC só manteve as condições anteriores para planos de 24 a 36 meses com entrada mínima de 20% do valor do veículo, de 30% para até 48 meses e de 40% para prazos superiores.
Desaceleração
Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, a ampla oferta de crédito em condições favoráveis, o elevado grau de confiança dos consumidores e o mercado de trabalho em ascensão foram as principais causas que sustentaram o desempenho positivo da atividade varejista em 2010. Para 2011 as expectativas são de continuação do crescimento, porém a taxas mais moderadas, limitadas pelas medidas de aperto no crédito baixadas pelo BC – que afetam especialmente o setor de veículos –, os prognósticos de aumentos dos juros e as promessas do novo governo de adotar política fiscal mais austera, todos fatores que tendem a desacelerar o consumo neste ano.