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Giovanna Riato, AB
Entre 200 mil e 300 mil veículos deixaram de ser vendidos a pessoas físicas no ano passado por conta das medidas de restrição ao crédito adotadas pelo Banco Central. A estimativa é da Anef, associação das empresas financeiras de montadoras, que aposta na retomada destas vendas em 2012. “Em 2011 pagamos a conta dos incentivos à economia dos dois anos anteriores. Temos uma rota bem mais segura pela frente”, analisa Décio Carbonari, presidente da Anef.
O executivo prevê crescimento nas vendas de veículos em ritmo superior ao registrado no ano passado, quando os licenciamentos avançaram 3,3%. O movimento será motivado pelo fim das medidas macroprudenciais e pela segurança maior do consumidor em relação à crise econômica internacional. O dirigente afirma que a situação começa a se estabilizar na Europa, o que aumenta a confiança.
Expansão do crédito
Mesmo com as medidas para reduzir o ritmo da economia, o crédito para o financiamento de veículos avançou 7,9% em 2011, para R$ 200,6 bilhões. A expansão foi menor do que a registrada no ano anterior, próxima de 20%, mas ficou dentro das projeções da entidade. Para este ano, a Anef espera avanço de 8% a 10% no saldo das carteiras de financiamento.
Clientes com renda maior
Carbonari acredita que a expansão não será puxada apenas pela nova classe média, parcela da população que ascendeu economicamente e busca adquirir o primeiro automóvel zero quilômetro. Para ele, o crescimento será impulsionado também pela demanda de clientes com renda maior, que deixaram de comprar carro no ano passado diante da incerteza da economia e do aumento do custo do crédito. “Esse consumidor tem um peso maior nas vendas. Muitas vezes eles compram mais de um veículo por ano”, afirma.
A retomada da demanda destes clientes deve reativar as vendas de veículos a pessoas físicas, congeladas no ano passado. De olho neste movimento, os bancos mantiveram a oferta de crédito com juros mais atrativos para financiamentos com entradas maiores, mesmo sem a exigência do Banco Central.
Inadimplência
A Anef aponta que o crescimento da inadimplência acima de 90 dias foi uma surpresa negativa em 2011. O índice chegou a 5% no setor de veículos, bem acima da taxa média de cerca de 2,5% dos últimos anos e superior à registrada no pior momento da crise financeira em 2009, de 4,4%. Carbonari avalia que a alta é resultado da perda de poder de compra dos consumidores ao longo do ano em consequência da inflação. “A pessoa se comprometia com uma dívida mas perdia poder aquisitivo mês a mês”, esclarece. A situação deve ser regularizada em 2012, com os reajustes salariais e a queda da inflação.
Outro ponto importante foi a participação dos novos consumidores no mercado, que não tinham experiência anterior com crédito para veículos. “O desembolso médio mensal de um carro vai muito além do financiamento. Há despesas com IPVA, seguro, estacionamento, combustível e manutenção”, pondera. Combinado com a perda do poder de compra, este fator estimulou o aumento dos calotes.
A inadimplência, no entanto, não cresceu de forma homogênea no setor. Estimativa da Anef aponta que a alta da taxa entre os veículos novos é de 2,5%, ainda superior a média histórica em torno de 1,5%. No setor de carros usados o índice aumentou para cerca de 8%. Apesar disso, a maior incidência de calote acontece no segmento de motocicletas, de cerca de 20%. A Anef afirma que há tendência de queda na taxa para este ano, “mas ainda é difícil projetar um número exato”, afirma Carbonari.
Assista à entrevista exclusiva com Décio Carbonari, presidente da Anef:<>br/>
