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Giovanna Riato, AB
A restrição do crédito determinada pelo Banco Central em dezembro foi contabilizada nas vendas de veículos neste início de ano. A Anfavea, associação que reúne os fabricantes de veículos, divulgou nesta quinta-feira, 7, um crescimento em ritmo mais modesto no primeiro trimestre, com avanço de 4,7% sobre o ano anterior para 825.161 unidades.
Com as novas condições, as compras a prazo caíram de 65,5% do total para 62% entre janeiro e março. “As restrições fizeram com que o ritmo da expansão fosse reduzido”, explica Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, associação dos fabricantes de veículos. Para o dirigente a mudança não é negativa, apenas uma condição passageira necessária para ajustar a economia. “É cedo para revisar as projeções de crescimento para este ano, precisamos de mais alguns meses”, aponta.
Em março foram emplacados 306.135 veículos, volume 11,7% maior do que o de fevereiro e 13,5% menor do que o anotado no mesmo mês de 2010. Cledorvino Belini, presidente da entidade, aponta que o número negativo é consequência da perspectiva de retirada da redução do IPI, que estimulou as compras de veículos em março do ano passado.
Nos próximos meses, além de contornar o aumento das exigências para a aprovação de financiamentos, o setor automotivo terá uma outra dificuldade. “Estamos disputando crédito com o setor imobiliário. Apesar do Índice de Confiança do Consumidor estar alto, isso pode não se converter em vendas de veículos”, explica o presidente da Anfavea.
Balança comercial
O equilíbrio entre importações e exportações, que tem sido um dos principais focos de atenção da Anfavea, teve mais um desajuste nos três primeiros meses do ano. Enquanto o licenciamento de veículos nacionais caiu 0,5%, com 643 mil unidades, as vendas de importados cresceram 28,5% no período sobre os mesmos meses de 2010, para 182 mil unidades.
A participação dos modelos importados nos emplacamentos chegou a 22% no primeiro trimestre do ano. O indicador do aumento da presença estrangeira nas vendas nacionais cresce a cada ano. Passou de 15,6% no primeiro trimestre de 2009 para 18,8% em 2010 e chegou ao máximo este ano.
“Importar faz parte do jogo. O importante é ter competitividade para também exportar e isso nós não temos”, preocupa-se Belini. O executivo está conduzindo à frente da Anfavea um estudo sobre a competitividade da indústria automotiva nacional, que deve ser entregue ao governo ainda no primeiro semestre.
