
Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company,
consultoria especializada no setor automotivo, manifesta otimismo com o desempenho do mercado local este ano. “Está sendo muito bom, dentro dos cenários que se desenharam com a disparada da crise global” – afirma.
Ela adverte, no entanto, que é preciso estimular a competitividade da indústria brasileira, apertada de um lado pela queda expressiva das exportações e de outro pelas importações crescentes. “Não será suficiente torcer para o câmbio tornar-se mais favorável” – diz.
Letícia entende que os integrantes do BRIC apresentam situações bastante diferentes, com a Rússia enfrentando dificuldades econômicas e a Índia voltando a produção para veículos básicos. Enquanto o Brasil se equilibra, a China atropela japoneses e americanos, passando à frente do ranking.
“Haverá ainda muitos ajustes na cadeia de produção global” – afirma, explicando que a velocidade de crescimento dos asiáticos impressiona.
No cenário doméstico, a consultora alerta para um nível menor de investimentos e não se impressiona quando se fala em capacidade de produção anual de quatro milhões de unidades. “Essa é uma medida bastante discutível, já que depende até mesmo do número de turnos de trabalho considerados”.
Letícia acredita que os investimentos bilionários já anunciados não devem se perder, mas serão mais espaçados. O efeito da prorrogação de aplicações deve levar a uma nova agenda de lançamento de produtos e desenvolvimento de sistemas.
Cadeia e retomada em debate
A consultora fará uma análise detalhada da cadeia de suprimentos no simpósio Tendências na Indústria Automobilística, que a SAE Brasil promove na segunda-feira, 31 de agosto, no hotel Sheraton WTC, em São Paulo.
Um dos focos de atenção será a situação da balança comercial de autopeças, cujo deficit continua elevado.
Estarão no painel, junto com Letícia, o presidente do Sindipeças, Paulo Butori; Vagner Galeote, diretor de compras da Ford; e André Carioba, vice-presidente sênior da AGCO Corp. para a América do Sul.
Cledorvino Belini, presidente do grupo Fiat, fará a palestra de abertura para tratar da retomada dos negócios na indústria automobilística. Marcos de Oliveira, presidente da Ford, encerrará o programa com uma apresentação sobre o papel da inovação no setor.
As questões sobre o mercado de caminhões, que teima em não crescer, serão analisadas por Roberto Cortes, presidente da MAN para a América Latina.