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Sabó segue surfando nas exportações

Com somente 15% a 20% do faturamento obtido no mercado doméstico, a Sabó é das poucas empresas brasileiras de autopeças que tem números externos tão robustos a mostrar. Com forte processo de internacionalização que começou ainda nos anos 90, a fabricante de juntas e retentores fincou raízes fortes raízes além das fronteiras no País e suas exportações seguem em alta independentemente da cotação do dólar. “Conseguimos competir graças aos fortes investimentos em tecnologia e produtividade que fizemos nos últimos”, explica Lourenço Oricchio, diretor geral da Sabó Américas.
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pedro

08 abr 2015

4 minutos de leitura

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O executivo lembra que desde 2011 os processos de produção em suas duas fábricas no Brasil, em São Paulo e Mogi Mirim (SP), foram altamente automatizados para trabalhar com novas tecnologias sofisticadas, como juntas e retentores que têm a junção de elementos de metal e borracha por meio de nanotecnologia, sem uso de cola. “Dessa forma aumentamos o valor agregado dos produtos. Hoje Ford e General Motors equipam 100% de suas transmissões automáticas de seis velocidades com nossas juntas e retentores”, informa o executivo.

Com o alto grau de automação que esses processos industriais exigem, a Sabó nos últimos quatro anos reduziu seu número de empregados no Brasil de 4 mil para pouco mais de 1 mil. “Para exportar é necessário ganhar sofisticação tecnológica, qualidade e produtividade para reduzir custos. Por isso foi necessário automatizar e reduzir o quadro, mas os funcionários que ficaram hoje são melhor remunerados”, pondera Oricchio. “Os componentes que fornecemos para os câmbios automáticos de Ford e GM precisam durar 50 mil milhas. Para garantir essa durabilidade só com muito investimento em processos altamente confiáveis. Já fornecemos 80 milhões de juntas para a GM sem um único defeito sequer”, acrescenta.

Atualmente as vendas da Sabó Brasil estão divididas em meio a meio entre fornecimento direto às montadoras, sendo que 30% desse bolo são destinados à exportação, e o restante vai para o segmento de reposição, cerca de 10% para países vizinhos da América do Sul e quase 40% são vendidos no mercado nacional.

REESTRUTURAÇÃO INTERNACIONAL E NACIONAL

Nos anos 90 a Sabó comprou a concorrente alemã Kako e iniciou sua expansão internacional, passando a controlar plantas na Alemanha, Áustria, Hungria, Estados Unidos e, mais recentemente, na China. Há um ano a empresa tomou a decisão estratégica de vender sua participação majoritária no negócio para o grupo chinês Zhong Ding, ficando com 20% do capital. Embora em um primeiro momento a venda tenha significado redução do faturamento externo da companhia, mais adiante é esperado aumento substancial das receitas além-fronteiras.

“Isso porque temos apenas 3% do mercado nos Estados Unidos e algo como 1% na China. Seria fácil crescer bem mais do que isso com os produtos que temos, mas seria necessário fazer investimentos muito altos e não tínhamos capacidade para tal. Com o grupo Zhong Ding essa expansão será feita, continuaremos a fornecer a tecnologia e podemos chegar a 20% ou 30% de participação nesses países de altos volumes. Assim o faturamento externo subirá nos próximos cinco anos e deve até superar o de antes, quando tínhamos 100% do controle, e faremos isso sem contrair dívidas”, explica Oricchio.

No médio prazo, no entanto, a tendência é que essa estratégia diminua as exportações do grupo no Brasil. Isso porque as juntas e retentores para próximas gerações de transmissões automáticas de 10 e 12 velocidades serão fornecidos para Ford e GM pela Kako dos Estados Unidos, não mais pela unidade brasileira. “Para compensar isso já estamos prospectando novos mercados internacionais, como a Índia, por exemplo”, diz o executivo.

No Brasil a Sabó também passa por reestruturação de suas operações industriais. Na semana passada a empresa anunciou a venda para a italiana Reflex & Allen de sua fábrica de mangueiras de borracha (leia aqui), que ocupa um dos nove prédios da antiga planta do bairro da Lapa, em São Paulo, que começou a ser erguida no fim dos anos 40. “Já fazia quatro anos que tentávamos vender o negócio para focar nas unidades de produtos de maior valor agregado”, justifica Oricchio.

O prédio da fábrica de mangueioras foi alugado por dois anos para a Reflex & Allen e outros dois continuam a abrigar escritórios e toda a produção de juntas. Existem seis galpões desativados na área. “Com o tempo, após o término do aluguel, tendência é vender todo o terreno, localizado em área valorizada para a construção de edifícios, e transferir toda a operação para Mogi Mirim, onde está concentrada a produção de retentores e ainda temos 70 mil metros quadrados para expansão e podemos produzir juntas”, explica.