Fiat começou a desbancar a Saveiro quando lançou a Strada de cabine estendida, em 1999. A reação só aconteceu agora, aproveitando a mesma arquitetura do novo Gol/Polo, ao estrear também a cabine estendida. Os italianos se anteciparam com a versão de cabine dupla, há mais de um mês, porém é cedo para saber se tal versão vingará.
Esse segmento quase dobrou sua participação entre os automóveis em 30 anos. Além de transportar carga, vêm sendo usadas em atividades de lazer e até no dia a dia como único veículo. A nova Saveiro traz evolução às pequenas picapes e toques de requinte: regulagens de altura do banco (de série) e do volante (altura e distância, na topo de linha Trooper), iluminação da caçamba, tampa traseira com chave, sensor de distância traseiro, vigia colado (sem guarnições) com janela deslizante (Trooper).
Se tomou emprestado da Strada a cabine estendida e da Montana os degraus laterais de acesso à caçamba, a Saveiro inovou com o manuseio em dois estágios, por mola a gás, da tampa traseira. Em tentativa de evitar o mau uso eventual do compartimento de 300 litros atrás dos bancos por crianças ou pessoas, há adesivo de advertência e dois botões de fixação de rede protetora. Preocupações aerodinâmicas e de diminuição de ruído também são positivas, da fixação da capota marítima à barra de teto. O coeficiente de forma (Cx) evolui bastante: de 0,42 para 0,36.
A nova Saveiro tem 15 cm a mais de distância entre eixos que a anterior. Os balanços dianteiro e traseiro diminuíram, proporcionando bom impacto visual, um dos destaques do modelo. As bitolas cresceram e igualmente o volume da caçamba (734 a 924 litros). Portas mais largas — as mesmas do novo Gol de duas portas que não deve tardar — melhoram o acesso em relação à velha Saveiro. A versão Trooper (a partir de R$ 39.000,00), sem mudança de altura das suspensões, oferece rodas de aço pintadas de preto. Estranhamente não há opção de rodas de liga leve, embora sejam oferecidas nos catálogos inferiores.
Impressiona muito bem a dirigibilidade com 70% da carga total, oferecendo ótima relação conforto/estabilidade. Primeira e segunda marchas encurtadas, eficientes com a picape carregada, deixaram um “vazio” ao engatar a terceira. Ideal teria sido encurtar o diferencial e alongar um pouco a quinta marcha. Isso manteria as razoáveis 2.600 rpm, a 100 km/h, que permitem o atual e adequado nível de ruído do motor para o tipo de veículo.
O pacote opcional de freios ABS e air bags por R$ 2.700,00 é ponto importante. Mas, como o brasileiro não abre mão de estilo mesmo numa picape, a nova Saveiro, nesse ponto, avança frente aos concorrentes. O potencial é de abalar a líder, sacudindo-a do degrau mais alto do pódio em vendas.
RODA VIVA
GLOBAL Insight, consultoria sediada nos EUA, fez um estudo sobre lançamentos dos fabricantes aqui instalados. Segundo o diretor Guido Vildozo, estão nos planos da Renault para o próximo ano a versão perua do Logan, além da picape. Da Argentina, virá o Fluence, nome do novo Mégane III sedã também em 2010. O utilitário compacto baseado no Logan ficaria para 2011.
DE ACORDO com Vildozo, Citroen terá um ano cheio de novidades em 2011. Além do novo C3 hatch, existirá também a versão sedã que teria sido finalmente aprovada, depois de mudanças no desenho. Para ele, em 2012 os novos C4 hatch e sedã chegam da Argentina. Em 2013, a Peugeot produziria no Brasil o futuro compacto 208, eliminando a defasagem em relação à Europa.
LIVINA X-Gear procura surfar na onda aventureira que assola o país. Criou um pacote visual com os apêndices de praxe, pintura negra em pontos estratégicos da carroceria, além do nome difícil de pronunciar em português. As suspensões foram mantidas pela Nissan. Nada de aumento do vão livre ao solo, o que implicaria mudanças mecânicas custosas e preço fora do esquadro.
MAIS autêntico é o Smart com seu conjunto esportivo preparado pela casa especialista alemã em alto desempenho. O próprio nome deixa a entender: o Brabus Xclusive é minúsculo como todo Smart, mas não leva desaforo para casa. Emoção é o que não falta, tanto ao pisar no acelerador como ao assinar o cheque em torno do R$ 90.000,00.
PROGRAMA Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) começa de verdade no próximo mês (em abril, houve prévia). O Inmetro, coordenador do PBEV, espera mais adesões voluntárias informando sobre o consumo de combustível. Parece que, se até 2011, não houver aumento substancial de novas marcas se engajando no programa, este passará a ser compulsório.
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1 de setembro de 2009