
Com o sinal verde da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a proposta do senador Gerson Camata para o diesel, endossada pelo relator, senador Francisco Dornelles, pode abrir novas oportunidades para o segmento de motores e sistemas de powertrain no país.
O projeto de lei 656, de 2007, visa a autorizar a comercialização de motores movidos a diesel em veículos com capacidade de carga igual ou inferior a mil quilos, cabendo à Agência Nacional do Petróleo regulamentar a utilização do diesel nesses carros de passeio.
O projeto vai passar pelo crivo da Comissão de Assuntos Econômicos e pode seguir para sanção presidencial.
Debates
Coube a Rubens Avanzini, coordenador do Comitê de Tecnologia Diesel na entidade, expor seus pontos de vista para análise em debate que promoveu com a participação de Besaliel Botelho, diretor executivo da Bosch e presidente da SAE Brasil; e Horst Bergmann, consultor da FEV.
“O diesel é uma realidade e estará disponível por muitos anos no planeta. A tecnologia avançou bastante, tornando os motores silenciosos e eficientes, mais econômicos que os movidos a gasolina. A eletrônica fez parte desse avanço. A liberação do combustível para automóveis de passeio estimulará o desenvolvimento tecnológico no país” – defendeu.
Na exibição paralela ao fórum havia alguns veículos leves com motor diesel, destinados apenas a exportação.
Avanzini lembrou que há um esforço expressivo no país para o desenvolvimento do biodiesel, renovável e com emissões menos danosas ao meio ambiente. “Há também investimentos para elevar a qualidade tanto do diesel como do biodiesel” – explicou.
Depois de um entendimento com outros players da cadeia do diesel e o ministério público, a Petrobras deverá passar a fornecer o diesel com menor conteúdo de enxofre para atender a evolução dos motores diesel. O produto com 50 ppm (S50) de enxofre contribuirá para maior eficiência dos motores e menor nível de emissões. Mais adiante virá o S10.
“O nível de emissões tem caido bastante ao longo destes anos, mais agora é preciso melhorar o consumo dos motores” – advertiu Bergmann.
E a frota antiga?
Os debatedores reconheceram a dificuldade em promover um amplo programa de renovação da frota de caminhões no país, que tem mais de 40% de veículos fabricados como categoria Euro Zero. Houve consenso na dificuldade de promover o escrapeamento e reciclagem dos veículos mais antigos, já que não há programa e infra-estrutura para atender a iniciativa.
A renovação da frota dependerá, assim, de programas de estímulo à compra do caminhão novo, em mecanismos como o ProCaminhoneiro – que ainda está derrapando.