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Tomas Okuda, Agência Estado
O Brasil chegou no fim da safra 2009/2010 com uma produção recorde de 148,99 milhões de toneladas de grãos, conforme o resultado do 12º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O desempenho supera o melhor resultado registrado na safra 2007/08, quando houve produção de 144,14 milhões t. Segundo a Conab, o volume é 10,3% superior às 135,13 milhões t da safra 2008/09. Em comparação com o levantamento de agosto, houve aumento de 1,9 milhão t.
Os principais responsáveis pelo crescimento foram o reajuste dos dados da área e a produtividade de milho nos Estados de Goiás e Mato Grosso. Os técnicos da Conab explicam que houve redução da área cultivada na primeira safra de milho, por causa dos preços abaixo do esperado pelos produtores e da escassez de chuvas na Região Nordeste, na época da semeadura. No entanto, a produção ficou muito próximo da obtida na safra anterior, em virtude da recuperação da produtividade. Além disso, a redução prevista de área do milho segunda safra (safrinha) não se verificou. Ao contrário, ocorreu um incremento de 6,3%, informa a Conab.
A produção esperada para a primeira safra de milho 2009/10 está estimada em 34,079 milhões de t, (1,3%) maior do que foi colhido na safra 2008/09. Para a segunda safra, a previsão é de que sejam colhidos 22,045 milhões de t, com crescimento de 27,1% em relação à safra anterior. A safra nacional de milho deve alcançar a produção de 56,124 milhões de t, representando um crescimento de 10,0% em relação à safra anterior.
A soja deve fechar a produção em 68,69 milhões t, 20,2% ou 11,52 milhões t a mais que no ciclo anterior. A terceira safra do feijão está com 70% colhida.
Os números da área total plantada são semelhantes aos do último levantamento, com 47,32 milhões de hectares. O estudo foi realizado por 59 técnicos, que ouviram representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados, entre 23 e 25 de agosto.
Clima seco
Segundo a Conab, as chuvas ficaram abaixo da média no Rio Grande do Sul no mês de agosto, com os índices de precipitação mais baixos registrados no oeste do Estado. “No entanto, essa condição não chegou a causar prejuízos às culturas de inverno, que tiveram os tratos culturais beneficiados pela ausência de chuvas, com exceção da adubação nitrogenada”, informam os técnicos da estatal. Assim como na maior parte do Paraná, as chuvas e a umidade disponível no solo foram suficientes para garantir o bom desenvolvimento das lavouras.
O prognóstico para os próximos três meses indica uma maior probabilidade das chuvas ocorrerem abaixo da média na maior parte da Região Sul, o que, dependendo da sua distribuição, poderá causar prejuízos às culturas de inverno no Rio Grande do Sul, por elas estarem em fases menos adiantadas do desenvolvimento.
Essa condição, apesar de favorecer o preparo do solo e os trabalhos de plantio da próxima safra de verão, também poderá causar prejuízos às lavouras, por causa do maior risco de estiagens prolongadas no fim da primavera e durante todo o verão, em virtude da intensidade do fenômeno La Niña.
Trigo e café
A Conab prevê que a produção nacional de trigo na safra 2010 será de 5,392 milhões de toneladas, superior em 7,3% aos 5,026 milhões toneladas da safra anterior. Segundo a Conab, a semeadura do trigo da safra 2010 foi concluída no mês de julho, em todos os Estados produtores. Nos Estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, e no Distrito Federal a colheita já começou. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a cultura é estabelecida mais tarde, as fases predominantes são a floração e a maturação.
Os técnicos da Conab observam que o mercado de trigo esboça pequena reação, em consequência do aumento do preço do cereal no mercado internacional. No entanto, a alta está aquém do preço esperado pelos produtores. No mercado interno, os preços da saca de 60 kg variam conforme a região: Goiás e Distrito Federal de R$ 26,80; Região Sul, R$ 22,53.
Já o café beneficiado deve ter produção de 47,2 milhões de sacas de 60 kg. O resultado representa um acréscimo de 19,6% (ou 7,73 milhões de sacas), quando comparado com a produção de 39,47 milhões de sacas obtidas na safra 2009.
Segundo a Conab, o crescimento é justificado pelo ano de bienalidade positiva da cultura, aliado às condições climáticas favoráveis durante o ciclo produtivo.
Conforme a pesquisa da Conab, o maior acréscimo se dará na produção de café arábica, estimada em 36,04 milhões de sacas, o que representa um ganho sobre a safra anterior de 24,9%, (7,176 milhões de sacas). Para a produção do robusta (conillon), a previsão indica produção de 11,16 milhões de sacas, ou seja, crescimento de 5,2% (552,6 mil sacas).
Em comparação com a segunda estimativa da Conab (47,04 milhões de sacas), divulgada no mês de maio, a produção apresenta aumento de 0,3%, ou de 157,2 mil sacas. As reduções verificadas nos Estados do Espírito Santo (-958 mil sacas) e na Bahia (-25,2 mil sacas) em virtude da falta de chuvas, foram compensadas pelos ganhos observados nos Estados de Minas Gerais e de São Paulo.
A maior produção está em Minas Gerais, que detém 52,3% do total nacional, sendo 99% do tipo arábica. O Espírito Santo vem em segundo lugar, com 21,3% da colheita de conillon do País. A área de café em produção diminuiu 10 mil hectares (-0,5%), saindo de 2,09 milhões de hectares, no ciclo passado, para 2,08 milhões de hectares. Está em produção, 90,8% da área plantada de café e o restante, em formação.