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Salão de Paris abre as portas e busca manter espaço no calendário automotivo

Eletrificação e modelos-conceito marcam o dia de imprensa do evento europeu
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Redação AB

17 out 2022

4 minutos de leitura

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O aclamado Paris Motor Show, também conhecido como Salão do Automóvel de Paris, voltou aos holofotes do setor automotivo na segunda-feira, 17, depois de quase quatro anos de hiato por causa da pandemia. No primeiro dia, aberto apenas à imprensa especializada, Renault, Peugeot e Jeep encabeçaram a lista das grandes novidades do evento.

Além da pausa forçada pela covid-19, o evento ocorre em meio a razões suficientes para que haja pouco público, como as tensões em torno do conflito Rússia-Ucrânia, a crise energética na europa e, principalmente, a ausência de muitas marcas, um sinal de que as montadoras passam a questionar o formato de salões como o de Paris.

A lista de ausências na edição deste ano inclui Fiat, Maserati e Alfa-Romeo da Stellantis, VW e suas subsidiárias Audi, Porsche SEAT e Skoda, BMW e Mini, a Hyundai e sua afiliada da Kia, Jaguar Land Rover, Toyota e Lexus, Mercedes, Subaru, Volvo, Ford e até a a Citroën, ainda que a Stellantis, sua controladora, esteja no evento com a marca Peugeot.

Em 2022, o Salão de Paris tem ainda o desafio de mostrar sua relevância no calendário automotivo global como contrapeso do IAA Munique, o Salão do Automóvel de Munique (antigo Salão de Frankfurt, que ficou menor e mudou de cidade). O evento acontece em anos intercalados aos da mostra francesa e vem patinando para encontrar um novo formato que permaneça atrativo às empresas e aos consumidores. 

Salão de Paris ficou menor, mas ainda traz novidades

Ainda que com menos pompa, o Salão de Paris ainda traz novidades. A Jeep mostrou a versão 4×4 do Avenger, um mini-SUV elétrico que ainda está na forma de conceito, mas já com alguns elementos exclusivos em relação ao primeiro estudo do modelo. O carro exibido na capital francesa traz rack de teto e para-lamas alargados para acomodar os pneus maiores do tipo todo-terreno.

A marca, porém, não divulgou muitas informações técnicas sobre o SUV. Por ora, sabe-se apenas que a versão 4×2 tem um único motor elétrico no eixo dianteiro, que entrega 156 cv e 26,5 kgfm. A configuração com tração nas quatro rodas terá ainda um segundo motor, e caso ele seja igual ao dianteiro, o Avenger deve ter uma potência em torno dos 300 cv, com torque na casa de 51 kgfm.

Segundo a fabricante, a autonomia do Avenger 4×4 pode chegar a 550 km no perímetro urbano. Vale lembrar que a configuração com tração dianteira tem autonomia declarada de 400 km com um conjunto de baterias de 54 kWh.

De acordo com a Jeep, apenas três minutos de recarga em uma estação de 100 kW garantem 30 km de autonomia. Já 24 minutos asseguram um aumento de carga de 20% para 80%. Ainda não há definição de quando (e se) o Avenger será vendido no Brasil.

Renault aposta em eletrificação e conceitos

Já no caso da Renault, a marca francesa apresentou um modelo-conceito elétrico inspirado no icônico Trophy, veículo com estilo aventureiro que saiu de linha nos anos 1980. De acordo com a montadora, o modelo antecipa um futuro SUV 100% elétrico do segmento B, que será comercializado em 2025, produzido na França, na fábrica de Maubeuge, dentro do polo Electricity.

Ainda dentro do contexto da eletrificação, a Renault mostrou o conceito R5 TURBO, 100% elétrico e feito para a prática do drift, o furgão elétrico Kangoo E-Tech, e o cupê Megane E-Tech.

A empresa também apresentou no primeiro dia do evento o SUV Austral. Foram feitas modificação nessa nova geração: no interior há a tela OpenR, que exibe as informações do painel de instrumentos, dos sistemas navegação por GPS e multimídia. Há também interessante conteúdo de ferramentas:  são 32 dispositivos avançados de assistência ao motorista (ADAS).

Stellantis estuda Peugeot 408 elétrico

Outra grande novidade apresentada no salão foi o Peugeot 408, um modelo cupê posicionado entre o hatch 308 e o sedã 508, na Europa. A nova arquitetura STLA Medium da Stellantis não estará pronta para lançamento até 2024, então o 408 foi construído sobre uma versão atualizada da plataforma EMP encontrada nos Peugeots atuais.

Ele mede 4,6 metros de comprimento, e a distância entre eixos é bastante longa, 2,7 metros. Assim como no C5 X, o motor é o PureTech de 1,2 litro que produz 128 cv, que aciona as rodas dianteiras por meio de transmissões automáticas de oito velocidades.

A Stellantis não diz o quão rápido o 408 vai, mas o Citroen com a mesma combinação de powertrain precisa de 10,4 segundos apara chegar a100 km/h. Há também duas opções híbridas plug-in, com potência combinada de 225 cv ou 180 cv. Uma opção elétrica também está nos planos da montadora.