
“A Schaeffler é fornecedora-chave de sistemas de drivetrain para a indústria automotiva e acreditamos que o futura está na eletrificação dos veículos. Por isso para nós é fundamental participar do desenvolvimento dessas tecnologias. Aprendemos muito no ambiente desafiador das competições, onde a engenharia pode trabalhar nas fronteiras do desenvolvimento tecnológico”, justificou Gutzmer durante a apresentação no autódromo de Donington, Inglaterra, do ABT Schaeffler FE01, o novo carro da equipe ABT Schaeffler Audi Sport.
Em tempo recorde de apenas seis meses, a empresa alemã desenvolveu todo powertrain do modelo, incluindo o motor elétrico ABT Schaeffler MGU 01 com a potência máxima limitada a todos os carros da Formula E de 200 kw (270 cv), usados inteiramente somente nos treinos de qualificação para o grid, pois nas corridas só é permitido usar até 150 kw (202 cv), para economizar as baterias, além de um extra de 30 kw, para 180 kw (243 cv), durante apenas 5 segundos. A Schaeffler também projetou o novo câmbio mais robusto e compacto em parceria com a Hewland, com três velocidades para evitar ao máximo as trocas durante as competições. Tudo é controlado por um também novo software desenvolvido pela equipe.
Durante a temporada inaugural da competição, disputada entre 2014 e 2015 e vencida pelo brasileiro Nelson Piquet (o filho) da equipe Nextev TCR, todos os carros usaram o mesmo powertrain de 200 kw, com motor fornecido pela Spark Renault e câmbio de cinco marchas da Hewland. Na temporada 2015-2016, as equipes puderam cada uma desenvolver seu próprio trem-de-força e assim colocar à prova tecnologias próprias como diferencial competitivo. “Já projetamos um carro com mais torque do que o antigo e podemos agora elevar a eficiência mecânica, térmica e eletrônica de todo o conjunto com desenvolvimento próprio”, explica Gutzmer. Ele esclarece que a Audi Sport não é patrocinadora da equipe, mas um parceiro tecnológico: “Aproveitamos o nosso relacionamento próximo como fornecedores para trazer a experiência da engenharia da Audi em competições e powertrain elétrico.”
A Schaeffler não revela o quanto investe em seu projeto na Formula E, mas Gutzmer reconhece que “é uma quantia considerável”. Segundo ele, os gastos já cresceram bastante entre a primeira e a segunda temporada: “Isso era esperado conforme cresce o nosso envolvimento com a equipe, estamos investindo mais agora com o projeto próprio de carro”, explica.
DISPUTA ACIRRADA
Devido à limitação de potência e velocidade (os carros correm no máximo a 240 km/h), as provas da Formula E são muito disputadas, normalmente decididas por décimos de segundos em circuitos de rua. Ao mesmo tempo, o elevado torque da motorização elétrica faz a aceleração de 0 a 100 km/h ser completada em apenas 3 segundos, fazendo dos carros da categoria espécimes bastante difíceis de serem controlados. Nessas condições, qualquer pequeno ganho de peso e eficiência significa a diferença entre vitória e derrota – e deixa lições aprendidas para serem aplicadas em veículos que mais tarde serão vendidos aos motoristas convencionais.
Para se ter ideia de quanto a Formula E é apertada, na temporada inaugural da categoria sete pilotos se alternaram no lugar mais alto do pódio em 11 corridas. O brasileiro Lucas di Grassi, que já esteve na Formula 1 e pilota o carro da equipe ABT Schaeffler, foi o que mais frequentou o pódio em 2014-2015, seis vezes, com uma vitória, três segundos lugares e dois terceiros. Ainda assim terminou a competição em terceiro, 10 pontos atrás do suíço Sébastien Buemi, da e.dams Renault, que ficou em segundo a apenas um ponto do também brasileiro Piquet da Nextev TCR.
“Não se trata somente de ser melhor para o meio ambiente, mas também o veículo é mais eficiente, com mais torque e aceleração. Estou convencido de que esse é o futuro”, afirma di Grassi, que na pré-temporada de preparação em Donington vem cravando alguns dos melhores tempos entre os 14 pilotos inscritos para as 10 corridas previstas para 2015-2016. Além de di Grassi e Piquet, outro brasileiro de sobrenome histórico também está na disputa da Formula E: Bruno Senna, sobrinho de Airton, que corre pela equipe indiana Mahindra Racing e terminou a última temporada na décima colocação.
A segunda temporada da Formula E começa em outubro próximo em Pequim, China, e termina no primeiro fim de semana de julho de 2016 em Londres, Inglaterra. Serão 10 etapas em nove meses, passando também por Putrajaya na Malásia; Punta Del Leste no Uruguai, Buenos Aires na Argentina, Cidade do México (a confirmar), Long Beach nos Estados Unidos, Paris na França, Berlim na Alemanha e Moscou na Rússia.