
Ele entende que o Brasil está em posição privilegiada para investimentos no setor automotivo, com a economia estabilizada e um importante otimismo. Ele próprio está confiante no cacife da montadora diante das transformações que estão ocorrendo e, com as exigências do mercado e da legislação, vão alterar o mapa da manufatura e a oferta de veículos.
A Volkswagen, em nível global, oferece 250 veículos em seu portfólio. Esse número vai dobrar nos próximos anos, com a racionalização de plataformas que compartilharão componentes para garantir economias. A revolução prometida pela marca chegará ao Brasil. O primeiro passo para abrir caminho e ganhar força na operação brasileira foi garantir estabilidade na força de trabalho, como permite o acordo de três anos com os trabalhadores na planta de São José dos Pinhais, no Paraná.
A empresa trata, ainda, de garantir capacidade produtiva com a expansão da unidade de Taubaté, que ganhará uma fábrica nova. Será o espaço necessário para a produção do moderno Up!, compacto que pode ameaçar a liderança do Uno. “Os novos veículos serão atuais, com elevado grau de tecnologia embarcada e maior oferta de opcionais”, explica Seitz.
Ele garante que o grau de nacionalização já é bastante elevado em toda a linha Volkswagen na região e não haverá dificuldade com as novidades que estão a caminho. Mas o executivo não esconde que há dificuldades a vencer na cadeia de abastecimento, especialmente na segunda camada, dos chamados Tiers 2. “Caberá aos sistemistas a tarefa de incentivar o grau de competitividade desses fornecedores”, afirma, lembrando que há necessidade de reavaliar o volume de mão de obra empregado. “A produtividade dependerá de maior nível de automação. O Tier 2 terá que acompanhar o Tier 1”.
EXPORTAÇÕES
Sem especificar nomes, Seitz diz que novos fornecedores foram incorporados nos meses recentes, depois de constatadas brechas de competitividade e falhas na oferta de determinados produtos, seja na área de plásticos, estamparia ou eletrônica. Ele já havia lançado um alerta para esses gargalos há pelos menos dois anos.
Com os avanços obtidos em competitividade, o vice-presidente da Volkswagen diz que é hora de repensar firme as exportações. “A empresa já é a maior vendedora de veículos para o exterior. Foram 178 mil unidades em 2011, a maioria para o México e Argentina”. Graças à atual relação cambial, ele admite que o País recupera força no mercado internacional.
As preocupações sobre as relações comerciais com a Argentina, no entanto, não acabaram. Ao contrário, houve piora constante nos últimos três meses. O fato é endossado por Martin Fries, gerente de compras da Volkswagen responsável pelo mercado no país vizinho. Segundo ele, as dificuldades são enormes na alfândega, com a determinação do governo local em obter melhor saldo na balança comercial. A inflação estaria ao nível de 25% ao ano, assustando os empresários argentinos.
APERTO NA PRODUÇÃO
Nessa terça-feira, 11, a Volkswagen premiou seus melhores fornecedores de 2011 (leia aqui). Na cerimônia realizada no Bufê Torres de Moema, em São Paulo, a Takata Brasil saiu com o prêmio principal, de Melhor Fornecedora, e vencedora em duas categorias. Os critérios para avaliação dos 700 parceiros comerciais na cadeia de abastecimento têm sido constantes: competitividade em custos, qualidade, fornecimento no prazo estipulado e tecnologias adequadas, coisas que a Takata tirou de letra.
As operações da Volkswagen no Brasil e Argentina devem bater este ano os R$ 16 bilhões em compras registrados em 2011, especialmente com a aceleração das linhas de montagem aqui para atender a demanda extraordinária provocada pela redução do IPI. As montadoras já estariam enfrentando gargalos para atender a demanda aquecida. “Haverá apertos neste final de ano”, alertou Thomas Schmall, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, apontando que haverá trabalho em sábados e feriados se necessário.
Schmall incentivou os fornecedores a continuar investindo em capacidade, qualidade e produtividade para acompanhar os passos da companhia. “Seremos a montadora líder global em 2018”, disse, com convicção.