Se melhorar, estraga, diz o velho ditado popular. Todos os segmentos vendem bem, embora os chamados carros “populares” (motores de 1.000 cm³) venham perdendo espaço na preferência do consumidor. No mês passado, sua participação entre automóveis, stations e monovolumes caiu para 50,8%, de um patamar superior há 70%, em 2001. Devem encolher ainda mais, mantidas as condições atuais.
Levantamento, feito pela Citroën, indica que o preço médio dos carros evolui com rapidez. Em 2006 era de R$ 42.000,00 e, nessa altura do ano, já passou de R$ 50.000,00, sem praticamente nenhum efeito inflacionário no cálculo. Não foi só pelo aumento de poder aquisitivo. O financiamento em prazos maiores e juros menores permitiram que, mantido o mesmo valor da prestação, se pudesse comprar um modelo mais equipado e/ou mais potente.
Entre os paradigmas superados está o de que o comprador de automóvel resiste ao financiamento longo. A média atual – 45 meses – desmente essa referência. Pudera, nunca foi tão fácil comprar a crédito. Gunnar Murillo, diretor de Vendas do Banco GMAC, afirma que em média a aprovação sai em dez minutos. “Ou 15 segundos, se for um cliente conhecido”. O mercado de crédito cresceu tanto que se pode obter financiamento facilmente e comprar carro de um particular, sem a intermediação de um lojista. Basta escolher em classificados de jornal ou internet. Pagamento à vista continua em 30% do total das vendas. Consórcio permanece quase morto (4%).
Outra virada ocorreu no leasing. Depois dos traumas da correção cambial em 1999, o arrendamento (35%) voltou a ultrapassar o Crédito Direto ao Consumidor (31%). Com prestações fixas e um pouco menores em relação ao CDC, o leasing mantém a desvantagem do mínimo de 24 meses para pagar. Quitação antecipada sem taxa escorchante, porém, já é possível, além da sempre permitida troca do veículo por outro de igual ou maior valor. Repassar o contrato, em caso de dificuldade financeira eventual, tende a se difundir pelo maior número de interessados.
A única má notícia é o atraso na aprovação pelo Congresso do chamado cadastro positivo. Dificilmente sairá este ano. Quando vigorar, cada tomador de empréstimo terá uma taxa de juro individual, atribuída de acordo com seu histórico de bom pagador. O cadastro negativo cerca apenas o devedor inadimplente. Nos vários países que o adotaram, o positivo levou a uma baixa dos juros generalizada em médio prazo. Aqui, os legisladores querem adicionar penduricalhos sob falsa alegação de privacidade. O consumidor entende e sabe muito bem o que quer. E também aquilo que não quer: mais intervenção, mais burocracia.
Alta Roda nº 472 – 12 de maio de 2008
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AS NOVIDADES DA ARGENTINA PARA O BRASIL
A Argentina reserva muitas novidades ao mercado brasileiro. Além dos Citroën C4 hatch (setembro) e Ford Focus hatch e sedã (novembro), a Renault se apressa para oferecer nova opção. No final deste ano ou começo de 2009, aporta aqui mais um sedã que se posicionará (em termos de preço) entre Logan e Mégane II. Arquitetura é a do Clio sedã, produzido só no país vizinho (Fernando Calmon, Alta Roda, 13 de maio).
PEUGEOT 308 DEVE CHEGAR EM 2009
O Peugeot 308 está previsto para meados de 2009. Da mesma fábrica de El Palomar, perto de Buenos Aires, também poderão vir as novas gerações dos multivans Citroën Berlingo e Peugeot Partner, em 2010. Igualmente, se espera que Renault dê o troco com o Kangoo 2, no mesmo prazo. Problema, no Brasil, é a baixa aceitação desse tipo de carroceria. Mas, o mercado está comprando de tudo… (Fernando Calmon, Alta Roda, 13 de maio).
MAIS POTÊNCIA FARIA BEM AO GRAND C4 PICASSO
O real menos valorizado frente ao euro do que ao dólar, não impediu o Grand C4 Picasso de chegar da Europa pelo preço razoável de R$ 90.000,00. Entre várias sofisticações, destacam-se freio de estacionamento de desacoplamento automático e ar-condicionado quadrizona. Visibilidade é o ponto alto. Suspensões são algo ruidosas, em piso irregular. Como leva até sete passageiros, precisaria de potência maior (Fernando Calmon, Alta Roda, 13 de maio).
TATA AGORA PENSA NA PININFARINA
Indianos em evidência. Tata cogita de comprar parte da Pininfarina. Casa de estilo italiana está em dificuldades financeiras geradas pelo ramo industrial. Renault e Nissan, finalmente, anunciaram sociedade com a Bajaj para desenvolver novo carro de custo ultrabaixo. Esse fabricante indiano de triciclos diz que empata com o Tata Nano em preço: menos de R$ 10.000,00 (Fernando Calmon, Alta Roda, 13 de maio).
AS 685 CÂMARAS QUE VIGIAM BRASILIA
Brasília tem menos de um terço da frota de São Paulo. Mas deve ser a cidade mais vigiada do mundo. Entre pardais e radares há nada menos de 685 câmeras, segundo um fabricante de orientador eletrônico por GPS. Megalópole paulistana só agora totaliza 200. Indústria de multa é ficção?