
“Se queremos exportar, temos de abrir para importação. Para vender lá fora temos que abrir a nossa casa”, resume. Sem entrar em detalhes, o executivo sinaliza que é isso que espera da política industrial que dará sequência ao Inovar-Auto, regime automotivo atual. Para ele, no lugar de impor regras de conteúdo local nos carros feitos no país, o programa poderia reduzir gradativamente as barreiras de acesso ao mercado interno. Além disso, ele cita a importância de formular novas regras de eficiência energética a partir de 2020, quando termina o efeito das metas do Inovar-Auto.
Outro ponto importante para o executivo é a necessidade de fazer um movimento de industrialização. “Nos desindustrializamos nos últimos anos”, apontou, voltando a reclamar da dificuldade de encontrar no País fabricantes de alguns componentes que antes tinham produção local. “Perdemos fornecedores”, constata. Segundo ele, o caminho é atrair players para a cadeia produtiva e garantir volumes mais elevados, algo que só pode ser alcançado com mais exportações.
Ketter assegura que, no caso da FCA, a fábrica da Jeep em Goiana (PE) conta com nível de produtividade e qualidade para vender a outros mercados. “Aqui no Brasil temos tendência a desvalorizar o que fazemos localmente”, diz o executivo, que nasceu no País mas tem descendência alemã e viveu na Europa por alguns anos. Ele cita o exemplo da Fiat Toro, picape média da marca desenvolvida localmente e cobiçada em outros mercados. “Há grande interesse de vários países.”
Por exportar, o executivo entende conquistar novos espaços, sem se restringir aos vizinhos da América Latina. “Eu não considero as vendas para a Argentina como exportação, mas sim como nosso mercado comum.”
CARRO VAI VIRAR APP NO SMARTPHONE, NÃO O CONTRÁRIO
Ketter falou durante o evento sobre o cenário de transformação para a indústria automotiva. Os consumidores, cada vez mais bem informados, fazem menos visitas às revendas para decidir sobre a compra de um carro. “No futuro será preciso repensar o modelo de concessionária”, diz. Segundo Ketter, garantir conectividade será essencial para se manter na disputa por mercado nos próximos anos. “O carro vai virar um aplicativo no smartphone, não o contrário”, fala, destacando os serviços de compartilhamento e a condução autônoma.
Ele aponta que, em 2030, os carros que rodam sem a necessidade de um motorista poderão ter participação de até 15% nas vendas. Outra fatia de 15% será de veículos destinados a serviço de compartilhamento. O Brasil, segundo ele, não deve participar deste salto tecnológico já no primeiro momento, mas “é importante garantir que a defasagem não seja superior a cinco anos. Espero que o País não seja apenas um seguidor, mas possa participar da transformação.”
