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Sem definição de cotas para importados, Abeiva projeta retração de 40% nas vendas

Os importadores de veículos sem fábrica no Brasil registraram retração de 21,6% nas vendas no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2011, para 70,9 mil unidades. A queda, divulgada pela Abeiva, entidade que representa as empresas do setor, é efeito combinado do adicional de 30 pontos no IPI de carros importados de fora do Mercosul e do México e da alta da cotação do dólar no período. Em junho a queda foi ainda mais profunda, de 41,4% na comparação com o registrado há um ano e de 9,6% sobre o mês anterior, para 11,2 mil.
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Giovanna Riato

11 jul 2012

3 minutos de leitura

A situação preocupa Flávio Padovan, presidente da Abeiva. Segundo ele, o desconto no IPI anunciado pelo governo no fim de maio não trouxe alívio para o segmento. “A medida beneficiou apenas veículos menores. Além disso, já tínhamos o impacto do aumento de 30 pontos da alíquota”, explica. Padovan calcula que a tributação chega a 190% sobre o preço de veículos importados. Nesse cenário, a entidade projeta queda de 40% nas vendas do ano em relação ao anotado em 2011, para cerca de 120 mil carros.


COTAS DE IMPORTAÇÃO

Na visão da Abeiva, a única forma de reverter a retração é com o estabelecimento de cotas de importação, um volume que possa ser trazido do exterior sem o IPI majorado. “O Ministério do Desenvolvimento mostrou estar sensível ao assunto. Apesar disso, nenhuma atitude foi tomada por enquanto”, lamenta Padovan. Em reunião com a imprensa na primeira metade de maio, ele havia declarado que o governo tinha se comprometido a definir as cotas até o fim daquele mês (leia aqui). Apesar disso, nenhuma regra foi definida.

“Eu tinha a confirmação de que a nova regra seria anunciada, mas isso não foi feito. Agora espero que o governo tenha bom senso e anuncie condições para manter o segmento vivo”, afirma. O executivo também não sabe dizer qual poderá ser o critério para definir os volumes que poderão ser importados. “É possível que seja indicada uma cota fixa para cada marca, ou uma quantidade para o segmento, com base as vendas do ano passado”, especula.

O dirigente avisa que, sem alívio rápido, a queda nas vendas poderá trazer consequências sérias. Segundo ele, a baixa já resulta em demissões. Levantamento da associação aponta que um total de 10 mil vagas devem ser fechadas nos próximos meses, diminuindo para 25 mil o número de empregos nas importadoras e concessionárias. Outro risco apontado por Padovan é a redução do tamanho das redes, que hoje somam 902 revendas, e até o encerramento da atividade de algumas marcas no Brasil.

“Esses cortes compensam o aumento da arrecadação que o governo obteve com a elevação dos tributos sobre veículos importados”, lembra. Com a redução do quadro de funcionários das empresas, a entidade calcula que o setor deixe de pagar R$ 2,4 bilhões em impostos este ano.


AMEAÇA QUE VEM DO MÉXICO

Os importadores de veículos da Abeiva responderam por 4,3% do mercado no primeiro semestre do ano. No ano passado as vendas da entidade representavam 5,5% do total. “Não podemos dizer que isso é uma ameaça”, defende Padovan. Segundo ele, o volume mais expressivo de importações vem do México, trazido pelas montadoras com fábricas no Brasil. Entre janeiro e junho, os carros produzidos no país garantiram presença de 15,8% nas vendas.