
A crise geopolítica global arrastou muitos setores para um cenário nebuloso. O de ônibus não passa incólume diante dessa era de incertezas e a Mercedes-Benz está bem resiliente quanto a isso.
Diante de um primeiro trimestre de queda de 20% nas vendas de chassis em relação ao mesmo período do ano passado, a fabricante alemã adota o mesmo discurso de Anfavea, Fenabrave e outras associações: números e previsões para 2026 terão de aguardar.
Guerra, juros e dólar no caminho da Mercedes e do mercado
Especialmente a guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço do combustível. Algo sensível para o setor de ônibus e que impacta os planos de renovação de frotas dos clientes.
Tem ainda um ano de eleições, inclusive estaduais, o que faz muitas empresas esperarem o resultado do pleito e as eventuais licitações para o transporte público.
Sem falar na onipresente Selic. Apesar de ser consenso no mercado que a taxa de juros cairá no ano, a guerra promovida pelos Estados Unidos interfere indiretamente em uma redução mais consistente do indicador por parte do Banco Central.
“Uma taxa Selic abaixo de 13% faz o mercado avançar forte. Há uma expectativa de queda, mas temos de aguardar”, diz Walter Barbosa, vice-presidente de vendas e marketing de ônibus da Mercedes.
A variação cambial é outro desafio a ser observado. Para o executivo, a cotação do dólar próximo a R$ 5 favorece o transporte aéreo. Muito acima desse patamar, favorece o modal rodoviário.
“É um cenário incerto para os dois setores”, acredita Walter.
Segmento de rodoviários na mira
Nesse ambiente, a montadora ao menos tem uma perspectiva concreta. Reviver a liderança no segmento de ônibus rodoviários.
Enquanto a categoria em 2025, com 2.084 unidades, caiu 12,2% nas vendas em relação a 2024, a Mercedes teve queda de 20,4%. A montadora fechou com 38,8% e o segundo lugar no segmento.
“Foi o único segmento que não performou bem devido à sazonalidade”, diz o VP da Mercedes.
Segundo ele, é um mercado onde os clientes são mais cativos e fiéis às marcas. A justificativa é que dentro da carteira da Mercedes a renovação foi mais tímida que nas da concorrência.
“Mas isso é pontual. Acredito que esse ano retomamos a liderança”, aposta Walter Barbosa.
Liderança que a Mercedes desfruta em outros segmentos de ônibus. Especialmente no urbano, o maior da fabricante no país, que representa entre 35% e 45% das vendas da empresa.
Em 2025, a Mercedes cresceu 12,8% na categoria, enquanto o mercado de chassis urbanos evoluiu 0,8% em relação a 2024, totalizando 8.558 unidades.
Outra forte alta que a Mercedes registrou nesta mesma base de comparação foi no segmento de micro-ônibus. A montadora teve alta de 31,6% e fechou com market share de 25%. A categoria como um todo cresceu 3,4%.
No segmento de fretamentos a companhia acompanhou o mercado. Alta de 21%, mas liderança, com participação de 53,6%.
