
-Veja aqui os dados da Anfavea
Apesar da queda prevista pela organização, para alcançar a expectativa as fabricantes instaladas no Brasil terão de fazer mais de 260 mil unidades por mês até o fim do ano. Este nível não foi atingido nenhuma vez em 2015. Em junho a produção ficou em minguados 184 mil veículos entre leves e pesados, com queda de 12,5% sobre maio e de 14,8% na comparação com junho de 2014.
No acumulado do ano os caminhões deram a maior contribuição para a queda da produção, com redução de 45,2% nos volumes, para apenas 41,6 mil unidades. A fabricação de ônibus também teve queda expressiva, de 27,8% para 13,8 mil chassis. Já o segmento de leves anotou contração de 17% e ficou em 1,22 milhão de veículos, com 1,03 automóveis e 187,3 mil comerciais leves.
Com o patamar menor, a indústria enfim conseguiu diminuir os estoques, que há alguns meses insistiam em ficar acima de 50 dias. Com 338,8 mil unidades armazenadas nos pátios das fábricas e na rede de concessionárias este número caiu para 47 dias em junho. A redução foi puxada apenas pela queda da produção, já que o nível de vendas permanece baixo, sem potencial para escoar a capacidade produtiva da indústria local.
EMPREGOS
A falta de perspectiva sobre a recuperação do mercado e, consequentemente, da produção de veículos mantém o sinal de alerta aceso para o nível de empregos no setor. O número de pessoas empregadas nas montadoras teve nova queda em junho, para 136,9 mil trabalhadores. Nos seis meses do acumulado do ano as montadoras já reduziram em 9,6% sua força de trabalho no Brasil na comparação com o registrado há um ano, quando o setor empregava 151,4 mil pessoas. Se comparado ao nível de janeiro de 2014, pico no número de vagas na indústria, foram cortados 20 mil postos de trabalho das fábricas de carros.
“Hoje temos 36,9 mil empregados afastados de suas funções nas montadoras por meio de férias, layoffs ou licenças remuneradas”, calcula Luiz Moan, presidente da Anfavea. Esse número, segundo a entidade, corresponde a 27% da força de trabalho das fabricantes de veículos no Brasil. O executivo não especifica se o excedente de mão de obra que o setor tem atualmente equivale a este total, mas confirma que a situação mostra “o esforço das montadoras para manter o nível de emprego.”
Como ferramenta adicional para isso Moan aposta no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que deve ser anunciado ainda na segunda-feira, 6, pelo governo federal. O presidente da associação acredita que a iniciativa garantirá mais flexibilidade para que as montadoras administrem o excesso de mão de obra em tempos de redução da demanda sem precisar demitir.
“Entendemos que manter os empregos é o ponto chave para que a gente tenha uma retomada da economia brasileira”, defende Moan. Segundo ele, sem garantir esta segurança aos trabalhadores, será difícil melhorar o índice de confiança do consumidor, abalado nos últimos meses.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:
