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Será que o Peugeot 2008 tem o que é necessário para incomodar no segmento B-SUV?

Utilitário esportivo compacto da marca francesa tem dinâmica acertada e boa lista de equipamentos, mas preços podem ser um empecilho
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Marcus Celestino

12 ago 2024

5 minutos de leitura

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Há tempos a Peugeot não tinha uma carta na manga tão interessante quanto o novo 2008 2025. O SUV compacto tem design elegante, é bem acabado, feito sobre uma plataforma de estirpe, a CMP, e dispõe de uma boa lista de equipamentos de segurança e conforto

De lambuja, com nova motorização, tem dinâmica bastante agradável. É um produto que tem tudo para auxiliar a marca francesa em sua cruzada para retornar ao top 10 das mais vendidas do país pelo menos na seara de automóveis.

No entanto, temos um calcanhar de Aquiles.

Comercializado em três versões, Active, Allure e GT, o 2008 2025 tem preços de R$ 119.990, 129.990 e 149.990, respectivamente. Competitivos, certo? A opção de entrada, por exemplo, sai mais em conta que o Fiat Pulse Audace (R$ 122.990). Já a topo de gama tem valor que bate de frente com Jeep Renegade Altitude T270 (R$ 147.990) e bem abaixo do que é pedido pelo Volkswagen T-Cross Comfortline (R$ 163.990).


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Até aí tudo bem, não é? O problema é que os preços supracitados são promocionais, válidos até o fim deste mês. Depois, todas as versões do Peugeot 2008 2025 passarão por reajuste de R$ 20 mil – movimento antecipado por concessionários e confirmado por meio do site oficial da marca.

E aí, será que mesmo a partir de R$ 139.990 o SUV tem o necessário para buscar um lugar ao sol em segmento tão disputado? 

Dinâmica do novo Peugeot 2008 2025

A reportagem guiou o Peugeot 2008 GT, configuração de topo do SUV, em um curto trecho asfaltado e também em terra batida. Embora carregue a sigla para “gran turismo”, a versão tem o mesmo conjunto mecânico das demais.

Todas as opções do 2008 2025 vêm com motor 1.0 T200 que rende 130 cv de potência quando abastecido com etanol e 125 cv na gasolina a 5.750 rpm. O torque é o mesmo, 20,4 kgfm, independentemente do combustível. 

Casa com o propulsor transmissão do tipo CVT com simulação de sete velocidades. No caso da versão testada há aletas para trocas manuais atrás do volante.

O motor tem calibração adequada para o SUV, que responde rápido após pisadas mais vigorosas no pedal do acelerador. Na estrada, com apenas um passageiro e sem quaisquer lastros, rodou muito bem.

Além disso, o propulsor, assim como em outros modelos da Stellantis por ele impulsionados, funciona bem em faixas de rotação mais baixas. Uma bela vantagem em ciclo misto.


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O câmbio tem uma união com o T200 que agrada. Mesmo do tipo CVT, não incita o conjunto a “abrir o berreiro”. Além disso, as simulações de trocas manuais são um deleite. Ao utilizar as borboletas a condução se torna ainda mais divertida. E a cereja do bolo é a condução no modo Sport, que garante uma tocada bem interessante.

A suspensão, ao menos num primeiro contato, mostrou-se acertada. Na estrada asfaltada, um verdadeiro tapete, se comportou como devia. Na terra batida, com algumas oscilações, absorveu bem as imperfeições do solo.

Mesmo com seu primor pelo conforto, a suspensão do Peugeot 2008 2025 não faz do SUV uma banheira (ou uma pequena hidro). Se levarmos em consideração sua categoria, a rolagem de carroceria é mínima. A estabilidade, inclusive, supera a do predecessor.

A direção assistida eletricamente é dos poucos pontos negativos do 2008. Boa no quesito manobrabilidade, é um tanto leve em altas velocidades. Desse modo, o carro não fica na mão do condutor e, por conseguinte, não inspira confiança. Deveria ter mais progressividade.

Espaço interno do novo Peugeot 2008

O Peugeot 2008 garante ao motorista boa posição de dirigir, principalmente aos que gostam de guiar em posto mais elevado. O banco abraça bem o condutor e o volante de diâmetro reduzido, uma marca da fabricante francesa, é excepcional.

Ótimo também é o já tradicional conceito de cockpit da empresa, que deixa todos os comandos voltados para o motorista. A ergonomia, de fato, merece elogios.

O ar-condicionado também é digno de loas e clama pelo clichê “gela feito congelador”. Até podemos pedir por saídas para os ocupantes do banco traseiro. Elas, contudo, não fazem tanta falta assim.


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Os passageiros também têm conforto mais do que adequado no 2008. Atrás há espaço suficiente para cabeça (mesmo na opção GT, com teto solar) e joelhos. Mesmo assim, bom frisar que a formação recomendada é a “clássica” dois adultos e uma criança. Isso porque o túnel central é um tanto elevado, e prejudica quem vai no meio.

O isolamento acústico também agradou. A cabine é silenciosa, e não temos a necessidade de deixar o volume do sistema de som no “talo” para “evitar a fadiga”. Por fim, mesmo sem o acabamento europeu, dotado de materiais mais suaves ao toque, o habitáculo tem boa construção, sem quaisquer rebarbas.

Veredito

Nosso contato inicial com o Peugeot 2008 2025 nos leva a admitir que trata-se de um bom produto. É uma clara evolução ante a geração anterior, feita no Brasil. O SUV produzido em El Palomar, na Argentina, tem todos os predicados para incomodar os rivais.

O problema, como dito lá no início do texto, é o preço. Na humilde opinião do escriba, que de marketing e vendas pouco entende, a Peugeot deveria segurar os valores promocionais pelo menos até outubro – a fim de dar gás ao modelo.

Mesmo assim, importante destacar que o 2008 2025, tal qual seu predecessor, pode ter boa atuação nas vendas diretas. É postulante, inclusive, a se tornar um dos queridinhos das grandes locadoras instaladas no país. A ver.