A carta pede também uma determinação para que as distribuidoras de combustíveis só retirem o etanol das usinas ao preço que cubra, pelo menos o seu valor de custo. Pede, ainda, que a BR Distribuidora, cujos lucros considera astronômicos, comece este processo, evitando a continuidade desta brutal transferência de renda do setor produtivo para as distribuidoras que se vê nos dois últimos anos e que está desestabilizando toda a cadeia produtiva do setor de biocombustíveis.
Entendem os signatários que as distribuidoras devem ser obrigadas a baixar, na mesma medida, os preços aos postos e estes, aos seus clientes. Eles explicam que quando o etanol aumenta na usina, o mesmo aumento é repassado imediatamente aos consumidores nos postos. Já quando o preço baixa nas usinas, ele não é repassado aos consumidores.
A lista de reivindicações estende-se ao zoneamento agrícola da cana de açúcar no Estado do Rio Grande do Sul, imediata redução da carga tributária federal e estadual sobre as indústrias de bens de capital, flexibilização de critérios para tomada de recursos, liberação de crédito com taxas de juros “praticáveis” às empresas, redução de impostos e de excessos no gasto do poder público, investimento em infraestrutura, defesa da indústria nacional, agilização de mecanismos de estocagem e do sistema de armazenamento de etanol, alongamento de dívidas tributáveis, flexibilização de linhas de crédito como Prodecoop, PEDC, Progeren e revitaliza, redução do IPI para máquinas industriais e mudança na distribuição do retorno do ICMS do álcool anidro, com a transferência para os municípios produtores de cana, a exemplo do que já ocorre com o álcool hidratado.
Diz o comunicado o setor sucroalcooleiro sentiu mais significativamente os efeitos da crise justamente por estar em pleno crescimento – os impactos se estenderam a toda a cadeia produtiva: fornecedores e produtores de cana-de-açúcar, indústria de bens de capital, unidades produtores de açúcar, etanol e energia, engenharias, fundições, empresas de automação industrial, e um sem-fim de pequenas indústrias fornecedoras.
Os autores garantem que a região de Sertãozinho é o maior pólo sucroalcooleiro do país e do mundo e sentiu a queda da arrecadação municipal, do comércio local e amarga questões sociais ocasionadas pelo desemprego.