
Além de apoiar a formação dos alunos de graduação e pós-graduação do Instituto Mauá de Tecnologia, o centro sem fins lucrativos desenvolve tecnologias, produtos e serviços para a indústria, oferecendo alguns trabalhos inéditos em áreas como veículos e motores.
São poucas as empresas de ponta no setor automotivo que não recorrem ao Centro de Pesquisas para algum serviço específico ou em busca de conhecimento tecnológico. As encomendas variam bastante. “O desafio pode ser o de avaliar o posicionamento de um carro diante dos concorrentes” — explica Renato Romio, coordenador técnico da Divisão de Motores e Veículos.
Além dos 14 dinamômetros do Centro de Pesquisas para ensaio de propulsores de carros, caminhões, ônibus e motos (de 2 a 1.000 cavalos) a Mauá possui mais de cem laboratórios tecnológicos, a maioria destinada à formação de seus alunos. No Centro de Pesquisas o alvo são trabalhos com aplicação definida – nada acadêmico. Essa é a face da instituição que leva as empresas a acompanhar de perto o que acontece no campus, incluindo a evolução dos alunos em suas tarefas como estagiários.
“Chega a acontecer uma disputa pelos alunos que se destacam” — assegura Romio, lembrando que há uma grande carência de profissionais especializados para atender a nova fase de crescimento da indústria automobilística. Os estágios oferecem o atrativo adicional de serem remunerados.
O Santander patrocina uma sala de informática da Mauá. A Pirelli apóia um trabalho de graduação para avaliar a importância da pressão dos pneus no consumo e dirigibilidade dos veículos. A Fiat utiliza com frequência o Centro de Pesquisas e optou por permutar equipamentos de teste com horas de trabalho. Estes são apenas alguns exemplos recentes da presença de empresas no campus e na vida de seus profissionais e alunos.
O Centro de Pesquisas, coordenado pelo professor Valdecir Leonardo, é diversificado: além de trabalhos de pesquisa na área de motores (como ensaios, calibrações e avaliações de desgaste e durabilidade), são oferecidos para o mercado trabalhos na área de alimentos e bioquímica, metalografia, e metrologia, ensaios e análises químicas, tintas e vernizes, sinalização viária, eletrônica e telecomunicações. Neste último caso uma das especialidades é a análise de interferência eletromagnética.
Motores
“A maioria dos trabalhos no campo dos motores tem sido conduzida para reavivar um produto ou diminuir custos” – testemunha Romio. Mas há casos em que o Centro de Pesquisas atua, em conjunto com as montadoras, na fase inicial de desenvolvimento.
Romio admite que engenheiros brasileiros têm trabalhado bastante no desenvolvimento de motores com o advento do flex, em adequação de taxas de compressão, calibração ou mudança de materiais para resistir à corrosão provocada pelo etanol. Ainda que algumas das tarefas tenham sido conduzidas em outros países, é comum a presença de equipes brasileiras.
Jornalistas e repórteres da Folha de S. Paulo, Carsale e programa AutoEsporte, entre outros, recorrem ao Centro de Pesquisas para avaliar o desempenho de veículos. Essa atividade começou em 1992, com o teste de um Volvo turbo. Hoje são comuns os comparativos entre veículos de diferentes marcas, utilizando instrumentação diversificada e testes de campo.
A Cetesb está empenhada em avançar no controle e homologação de veículos importados, como as motocicletas. Apenas Honda, Yamaha e Dafra possuem laboratórios capazes de fazer o controle de emissões, enquanto a legislação brasileira aperta o cerco aos demais fabricantes que devem se submeter aos padrões do Promot, equivalentes a Euro 3.
“Hoje é necessário substituir carburadores por injeção eletrônica, que permite o uso de catalisadores ou hot tubes no sistema de escapamento” — informa Romio.
José Roberto de Campos, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas, registra que a Mauá emprega mais de uma centena de especialistas e abre oportunidades para estagiários dos cursos de engenharia e pessoal dos cursos de pós-graduação. Cerca de sessenta alunos passam pela área de motores todos os anos.
Ele ressalta também que o laboratório da Mauá na área de motores é o único acreditado pelo Inmetro para ensaios conforme o escopo da acreditação obtida. Na prática, o selo de qualidade e reconhecimento de competência com o carimbo da ISO/IEC 17025:2005 tem valor expressivo por dispensar auditorias de clientes nos trabalhos e maiores apresentações ao mercado.
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