
“As vendas devem acompanhar o comportamento da produção. As exportações também não devem crescer neste ano, visto que o Brasil tem acordos automotivos limitados, principalmente com o México e com a Argentina, nossos maiores parceiros”, disse Trujillo durante o evento realizado na segunda-feira, 28, por Automotive Business no Golden Hall WTC.
Segundo Trujillo, há segmentos que podem melhorar o desempenho das montadoras e, por isso, merecem mais atenção dessas empresas. O de utilitários esportivos, por exemplo, deverá representar 21% das vendas totais do mercado em 2023. “Outro dado a considerar é o volume de financiamentos desse tipo de veículo. Nos próximos anos os SUVs serão responsáveis por 38% das linhas concedidas pelas instituições financeiras. Isso quer dizer que se a montadora não tem um modelo nessa categoria é algo para se preocupar”, ressalta.
No mercado de pesados, as perspectivas para as vendas também devem ser de queda expressiva. O diretor da Carcon Automotive, Carlos Reis, ressaltou que este ano os emplacamentos de caminhões devem atingir 65 mil unidades e os de ônibus outras 15 mil. Em 2015, os licenciamentos foram de 71,65 mil caminhões e 16,79 mil ônibus. Já a produção deverá ser de 86 mil unidades de caminhões e 27 mil de ônibus. No ano passado foram fabricados 77,68 mil caminhões e 25,65 mil ônibus.
“Se ocorrer qualquer melhora no cenário político e econômico neste ano essa expectativa pode melhorar. Os empresários estão aguardando as mudanças para decidir pela renovação de frota. Há espaço para isso. Afinal, 85% dos caminhões que foram comprados entre 2011 e 2012 estão com os contratos de financiamento vencidos. A decisão de compra não ocorre por conta das incertezas políticas e econômicas pelas quais o País está passando”, disse Reis. Em relação às exportações, segundo o consultor, este ano o volume deverá alcançar 24 mil unidades de caminhões e 12 mil ônibus. No ano passado, os embarques de pesados somaram 24,5 mil caminhões e 11,4 mil ônibus.
“O presidente da consultoria Jato Dynamics, Vitor Klizas, ressaltou, durante o evento o avanço das novas marcas no mercado brasileiro sobre as chamadas quatro grandes (Fiat, GM, Ford e Volkswagen). Segundo ele, em termos de valor, em 2013 essas quatro empresas representavam 57% do faturamento total no Brasil. No ano passado elas alcançaram apenas 48% do total dos licenciamentos.
“Foi a primeira vez que isso aconteceu. Isso mostra a mudança de comportamento do consumidor brasileiro, que prima por conforto e tecnologia”, diz Klizas.
Assista à entrevista exclusiva de Vitor Klizas a ABTV: