
Para ele, a crise atual é a pior da história da indústria automotiva brasileira. O motivo não é o tamanho do tombo do mercado e da produção, mas sim a dimensão das projeções frustradas. “É justamente essa quebra da expectativa e a realização dos investimentos, treinamento da força de trabalho, preparação dos equipamentos e ferramentais. Quando a gente fala da ociosidade não temos o que fazer com a capacidade produtiva. Há uma perda de valor colossal que provavelmente jamais será recuperada”, aponta.
O dado mais recente do Sindipeças, de junho, mostra que 51% do potencial produtivo do setor de autopeças está ocioso, nível recorde. O executivo conta que há um esforço importante do Sindipeças e das empresas para elevar o volume de exportações. Apesar de ainda não refletir no faturamento internacional, a desvalorização do real em relação ao dólar ajuda nesse processo. “Muitas empresas aproveitaram para oferecer preços mais baixos lá fora e reconquistar mercados que já tinham perdido”, aponta. “É bom a gente depender menos do mercado brasileiro e ter maior participação no mercado mundial.”
Ainda que as vendas internacionais evoluam, ele acredita que uma recuperação consistente só acontecerá se for acompanhada de melhora das condições econômicas no Brasil. “Não haverá demanda para veículos descasada do crescimento macroeconômico”, avalia. Segundo ele, o País só deve alcançar novamente o patamar recorde registrado em 2013, de 3,7 milhões de veículos produzidos naquele ano, entre 2023 e 2024. “Essa é a expectativa de uma recuperação a passos lentos. Pode acontecer alguma mudança que acelere o processo”, estima Ioschpe.
Ele diz que o potencial do mercado local é ainda maior, de entre 5 e 6 milhões de emplacamentos por ano. O patamar, segundo o executivo, só seria alcançado com condições adequadas de renda, crédito, boa perspectiva de emprego e de crescimento do PIB e garantiria ao Brasil índice de habitantes por veículo próximo ao de países desenvolvidos.
