logo

Anfir

Setor de implementos rodoviários cai ao menor patamar histórico

O setor de implementos rodoviários sofre o efeito da redução do ritmo da economia brasileira. Entre janeiro e fevereiro de 2016, as 155 de empresas associadas à Anfir venderam no mercado brasileiro 9,4 mil unidades, com queda de 36,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. A diminuição é ainda mais severa se comparada ao mesmo intervalo de 2014, chegando a 42,2%.
Author image

Giovanna Riato

08 mar 2016

4 minutos de leitura

X_noticia_23571.gif

Com isso, este foi o pior primeiro bimestre já registrado na série histórica da Anfir, que começou a contabilizar os dados em meados dos anos 2000. As vendas da linha pesada tiveram queda menor, mas o impacto foi importante, já que o setor tem participação maior no faturamento. Foram negociados 3,52 mil reboques e semirreboques, volume 16,5% menor do que o anotado há um ano. “Se mantivermos esse patamar nos próximos meses, fecharemos o ano com apenas 22 mil unidades, número mais baixo já registrado”, calcula Alcides Braga, presidente da associação dos fabricantes de implementos rodoviários.

As vendas de quase todos os segmentos de implementos despencaram. O tombo só não foi maior porque o setor agrícola e o de papel e celulose demandaram equipamentos. “Há ainda alguns negócios iniciados na Fenatran no ano passado que se concretizaram apenas no início de 2016. Atividades ligadas ao comércio, indústria e economia de forma geral estão estagnadas”, enfatiza Braga.

Quando se trata da linha leve, a contração foi mais severa, de 44% para 5,91 mil unidades. O número é bastante inferior ao registrado em 2009, patamar mais baixo da série histórica até então, quando o mercado interno somou apenas 8,5 mil unidades no primeiro bimestre. A única categoria que apresentou crescimento é a que inclui implementos para food trucks, veículos de coleta de lixo hospitalar, entre outros. O crescimento nestes negócios foi de 13,9%, para 1,39 mil unidades.


PREÇOS E VOLUMES BAIXOS

A Anfir acredita que a situação difícil do setor vai se arrastar até que o cenário político fique mais definido, o que tende a melhorar a confiança na economia. “Não queremos incentivo, que podem até atrapalhar causando crescimento abrupto seguido por queda repentina. Precisamos é de crescimento do PIB”, avalia Braga. Segundo ele, as condições de financiamento pelo Finame/BNDES estão adequadas, com taxas de 14% a 16%, mas não há interesse do mercado em contratar a linha para comprar implementos por causa da economia fraca. Ele reforça que o crédito subsidiado por meio do PSI oferecido nos últimos anos causou antecipação de compras e teve efeito nocivo para as fabricantes de implementos.

“Primeiro tivemos um crescimento rápido, que demoramos uns seis meses para assimilar. Depois veio a queda, que deixou muitas empresas com capacidade ociosa elevada e sem saber como administrar investimentos feitos recentemente”, destaca. A Anfir calcula que o potencial produtivo brasileiro seja de 215 mil implementos por ano. Com o volume registrado no primeiro bimestre, Braga estima que a ociosidade tenha alcançado 70% no setor. “É muito difícil para as empresas administrar isso. O nível de empregos, que chegou a 70 mil postos de trabalho há alguns anos, deve ter caído para perto de 35 mil”, estima.

O presidente da entidade lembra que a queda de volume é semelhante à enfrentada pelas montadoras que fazem veículos pesados. Há, no entanto, uma diferença importante. Enquanto as fabricantes de veículos são empresas globais, que podem contar com o apoio da matriz em um momento como este, as produtoras de implementos são brasileiras, muitas delas de médio porte.

Com a queda de volume, a disputa por vendas fica mais acirrada, o que agrava a dificuldade para manter a lucratividade destas companhias. “Estamos trabalhando hoje com preços de 2010 mesmo com todos os aumentos de custos que tivemos de lá para cá”, diz.


EXPECTATIVAS

Ainda que no primeiro bimestre a queda tenha tido proporção maior, a Anfir trabalha com a projeção de que os negócios vão encolher 15% em 2016, para cerca de 75 mil implementos. Para compensar ao menos parte dos resultados negativos do mercado interno, a entidade está empenhada em elevar as exportações.

Entre janeiro e fevereiro foram vendidos a outros mercados 175 reboques e semirreboques brasileiros, com aumento de 63,5% sobre os resultados de um ano atrás. As exportações da linha leve não são contabilizadas porque normalmente não feitas pelas próprias montadoras. “Estamos organizando participação em eventos e rodadas de negócio em outros países da América Latina. Temos um produto muito exportável”, avalia Braga.

Ele diz que, historicamente, as exportações ficam em torno de 5 mil equipamentos por ano, com participação de poucas empresas. O plano é abrir espaço para que mais fabricantes consigam vender seus produtos internacionalmente, aumentando este volume.