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Marcelo de Paula, AB
Durante o painel “Homologação de Máquinas e Equipamentos no segmento de máquinas agrícolas e de construção”, realizada nesta terça-feira (05/10), durante o Congresso SAE, o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), Mário Humberto Marques, propôs a criação de um selo de qualidade nos moldes adotados pelo segmento de eletrodomésticos.
A proposta visa evitar uma distorção atual do mercado nacional. Os fabricantes locais produzem máquinas e equipamentos dentro de normas vigentes no Brasil e na Europa. Mas como as normas ainda carecem de regulamentação dentro do mercado nacional, elas não precisam, necessariamente, serem respeitadas. Sendo assim, é possível importar equipamentos de qualidade inferior, tanto nas questões operacionais quanto de segurança e emissões, sem que o produto seja barrado pelo sistema alfandegário.
“O selo visa mostrar que o produto atende às normas. Futuramente ele poderia evoluir para algo mais sofisticado como ocorre no setor de eletroeletrônicos com informações sobre níveis de consumo e de emissões. Mas num primeiro momento é apenas para termos um controle, pois até por questões de mercado temos de atender a severas especificações e temos nos deparado com produtos de fora muito inferiores e que, por isso mesmo, custam muito menos”, explicou Marques.
O gerente do Programa da Avaliação da Conformidade do Inmetro, Leonardo Rocha, participou do painel e disse que a criação do selo é viável. Basta que o setor se mova nesse sentido. Ele explicou que as normas estabelecidas pelo Inmetro não precisam, obrigatoriamente, ser adotadas por todos os fabricantes. “A norma é um padrão de qualidade, uma base para que se possa produzir algo dentro de determinados critérios. Ela só passa a ser obrigatória quando é criada uma regulamentação. E é isso que falta ao setor”, disse Rocha.
Exatamente por esta razão, caminhões e automóveis só podem ser importados se estiverem dentro das normas do Inmetro, pois há um regulamento que exige isso. E para o regulamento ser cumprido, há fiscalização. O que não acontece com máquinas e equipamentos agrícolas e de construção.
A preocupação de Marques é principalmente com a invasão de equipamentos da China e da Índia, que produzem a custo muito baixo, mas com qualidade inferior ao exigido pelo mercado brasileiro. O diretor de Equipamentos da Construtora Norberto Odebrecht, Afonso Mamede, concorda que o barato pode sair caro. A empresa, que tem operações em diversos países, compra ou aloca máquinas e equipamentos de diversos fabricantes e tem larga experiência quando o assunto é qualidade de produto e pós-venda.
Segundo Mamede, os fabricantes na China se dividem em três tipos: fabricantes que oferecem qualidade e pós-venda, fabricantes que oferecem apenas qualidade e aqueles que só oferecem preço. “Nós só adquirimos ou alocamos produtos homologados. Não permitimos a entrada de qualquer coisa, pois os riscos para a segurança das pessoas e para a continuidade de uma obra são grandes. E se acontece algum acidente ou atraso em obras, a construtora responde por isso”.