
O setor tem forte dependência de vendas a crédito. A modalidade responde por cerca de 46% das vendas, mas a aprovação das propostas de financiamento está abaixo de 20%, segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. Como resultado, o emplacamento de motos caiu mais de 9% no acumulado do ano, na comparação com o mesmo período de 2011. Essa queda passa de 17% quando analisado o período mais recente, de maio para cá.
Um ex-presidente da Abraciclo e diretor da Honda, Paulo Takeuchi, recordou que uma alteração no recolhimento dos depósitos compulsórios dos bancos poderia liberar R$ 3 bilhões em crédito para o financiamento das motos (o Banco Central adotou essa medida para os automóveis, resultando em R$ 18 milhões de fôlego).
Vale dizer que as motos produzidas em Manaus não recolhem o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Uma solução encontrada em 2009, ano em que o setor enfrentou situação semelhante à atual, as motocicletas até 150 cc foram beneficiadas pela isenção da Cofins, que resultava em abatimentos de cerca de R$ 200 no preço final de veículos em torno de R$ 5,5 mil.
Também naquele ano, a Caixa Econômica Federal liberou uma linha de crédito de R$ 3 milhões, mas contemplava apenas o setor do motofrete, o que implicava a comprovação formal de atuação no setor e a compra de unidades já equipadas com baús e outros itens. Tudo isso tirava a atratividade do financiamento.
As fabricantes de Manaus já fecharam cerca de 2 mil postos de trabalho desde o início do ano. “Houve cortes também nos fabricantes de componentes que atuam lá e empregam cerca de 20 mil funcionários, número semelhante ao das indústrias de motos somadas”, afirma o diretor da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves.
Ruim também é a situação dos importadores Shineray e Johnny em razão da alta de 15% para 35% na incidência do IPI para motos importadas de baixa cilindrada. Segundo o Estado de S. Paulo, a Shineray pode desistir da fábrica que pretendia inaugurar em Suape (PE) até o fim do ano e a Johnny deve adiar para dezembro a inauguração prevista para este mês de sua unidade em Camaçari (BA).
Os futuros fabricantes foram surpreendidos pela mudança das regras os governadores de Pernambuco e Bahia querem do governo federal uma revisão da tributação para aqueles que já tinham fábrica planejada para o Brasil, a exemplo do que ocorre no setor de automóveis com Chery.