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Setor siderúrgico avalia aproximação com os EUA

Redação AB, com informações da Agência Brasil
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Redação AB

20 mar 2011

3 minutos de leitura

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Articuladores do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Brasil, Dilma Roussef, trataram de colocar em pauta as oportunidades de negócios na área de siderurgia e energia entre os dois países. O Brasil tem interesse em abrir caminho para vender seu etanol, enquanto os norte-americanos estão empenhados em ter acesso ao petróleo brasileiro e abrir parceria no setor de energia.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil , disse que a visita de Obama tem importância estratégica para aproximação entre os dois países. Para ele, as questões substantivas devem ser tratadas de uma maneira mais pragmática.

Segundo o presidente do IABr, o mercado americano ficou fechado durante alguns anos aos produtos siderúrgicos brasileiros porque a indústria de aço dos Estados Unidos “andava muito ruim das pernas”. Foram criadas várias barreiras para proteger a indústria naquele país. O executivo entende que agora, com a indústria americana altamente competitiva, é o momento de uma relação mais aberta.

Siderúrgicos

A jornalista Alana Gandra, da Agência Brasil, registra que a produção brasileira de aço bruto cresceu 11,4% em fevereiro deste ano, em relação ao mesmo mês de 2010, somando 2,7 milhões de toneladas. Na área de laminados o crescimento atingiu 9,9%, com produção de 2,2 milhões de toneladas. Os resultados acumulados em 2011 indicam uma produção de 5,5 milhões de toneladas de aço bruto e 4,3 milhões de toneladas de laminados. O crescimento registrado foi 7,6% e 5,0% respectivamente, sobre o mesmo período de 2010.

O balanço divulgado pelo IABr é positivo também no que se refere às vendas internas. Houve expansão de 14,2% em fevereiro, em comparação a igual mês do ano passado. As vendas somaram 1,8 milhão de toneladas no mês, alcançando 3,5 milhões e aumento de 9,3% nos dois primeiros meses de 2011.

As exportações de produtos siderúrgicos atingiram 870 mil toneladas em fevereiro, no valor de US$ 655 milhões. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, os embarques ao exterior somaram 2 milhões de toneladas e US$ 1,4 bilhão, com aumento de 46,8% em volume e de 89,3% em valor.

Os dados do IABr mostram que a importação de produtos siderúrgicos sofreu retração de 19,3% em 2011. O volume atingiu em janeiro e fevereiro 601 mil toneladas importadas. Já o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos somou 2 milhões de toneladas (8,8%) em fevereiro, atingindo no bimestre 4,1 milhões de toneladas (5%).

Lopes afirmou que a grande preocupação do setor é com a questão do câmbio. “A apreciação do real de forma muito forte fez com que nós tivéssemos um recorde de importação em 2010, o que elevou o consumo”. Ele explicou que grande parte disso – mais de 20% – foi devido às importações, por conta do câmbio, “além da guerra fiscal, que está sendo atacada agora”.

A expectativa do IABr é que o setor siderúrgico experimente em 2011 um crescimento interno mais sustentado, por causa dos programas especiais, entre os quais indicou a Copa de 2014 e a área de petróleo e gás. “Então, a gente sai desse patamar baixo [de consumo] de 100 quilos por habitante. Mas, de outro lado, fica uma interrogação muito grande em relação à questão cambial. A gente não pode correr o risco, como se teve no ano passado, de ter essa vulnerabilidade enorme para efeito de importação”, disse o presidente do IABr.