
A empresa alega, no entanto, que sua oferta só foi apreciada na quinta-feira, 29, e mesmo assim apenas parcialmente. “A Bosch reitera que respeita a liberdade de manifestação de seus colaboradores e esclarece que já apresentou para o sindicado duas propostas específicas sobre a data-base. Apenas uma proposta foi apresenta para parte dos colaboradores, contudo a empresa entende que as assembleias para as negociações devem ser previamente convocadas e devem contemplar todos colaboradores de todos os turnos”, sublinhou a Bosch em comunicado divulgado também no dia 29.
Segundo Nelson Silva de Souza, diretor de mobilização do SMC, a contraproposta da empresa foi recusada pelos trabalhadores dos dois turnos de trabalho na quinta-feira. Ele insistiu que as chefias estão praticando assédio moral para impedir trabalhadores de participar das manifestações convocadas pelo sindicato: “Chegam a fazer sete reuniões por dia e as chefias intimidam os empregados”, acusou.
A empresa respondeu por meio de comunicado: “A Bosch não incentiva ou compactua com qualquer tipo de prática de assédio moral. Portanto, as acusações feitas pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba – em comunicado veiculado em 28/11 – não procedem e a empresa e sua unidade fabril paranaense repudiam qualquer tratativa oriunda desse tipo de ação.”
Outro ponto de desgaste entre empresa e sindicato é a proposta apresentada pela Bosch que prevê a flexibilização na jornada de trabalho, para ser utilizada em momentos de crise (como ocorreu este ano), com a introdução de até 12 dias úteis de licença não remunerada, com desconto máximo de um dia por mês. Souza afirma que os trabalhadores recusam a medida. A empresa alega que sua oferta “é diferente da reivindicada pelo sindicato somente no que se refere à quantidade de dias (12 contra 10), e que esta se aplica a todos os cargos e níveis da empresa”, segundo comunicado distribuído no dia 26.
Diante do impasse nas negociações, o sindicato informa que as paralisações e manifestações vão continuar, e a Bosch afirma que “está avaliando os próximos passos a serem dados sobre este tema”.
A Bosch tem cerca de 2,5 mil empregados em Curitiba e precisou fazer demissões este ano. A unidade, que fabrica sistemas de injeção e bombas para motores diesel, foi duramente atingida pela queda da produção de veículos comerciais no País. A retração na fabricação de caminhões de janeiro a outubro atingiu quase 40% em relação ao mesmo período de 2011, causada principalmente pela mudança na legislação de emissões do Proconve P7, que obrigou à adoção de motorização Euro 5 e tornou esses veículos de 8% a 15% mais caros, resultando em recuo brusco das vendas.