
Essa vulnerabilidade na cadeia de suprimentos automotivos foi detectada em levantamento promovido pelo Sindipeças no primeiro trimestre do ano e revelado pela entidade nesta segunda-feira, 16. “O objetivo do estudo foi detectar gargalos e necessidade de investir em capacidade de produção”, explicou Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, que conduziu os trabalhos junto com a entidade.
A especialista disse que as indústrias se recuperaram da queda em 2009 neste ano e devem crescer. Ela entende que o setor metalúrgico enfrentou sérios problemas de entrega no primeiro trimestre. “As principais restrições para aumento de produção são falta de capacidade e de matéria-prima, particularmente de aço”, declarou.
A falta de capacidade atinge vários setores, pois apenas três dos onze segmentos analisados apresentam ociosidade superior a 20% em regime de 24 horas por sete dias. No entanto, 87% dos pesquisados pretende investir e o total de investimento é estimado em R$ 3,6 bilhões.
O relatório considera que as empresas de menor porte, com faturamento inferior a R$ 50 milhões, apresentam desempenho insatisfatório em qualidade.
Dificuldade
A análise mostrou que o segmento de borracha é crítico para a expansão da indústria automobilística. A maioria das empresas que produzem artigos com base nesse material afirmou ter algum obstáculo para aumentar a capacidade de produção.
Na média 46,4% das empresas que responderam a pesquisa do sindicato admitiram algum tipo de dificuldade para elevar o potencial de suprimento à cadeia automotiva. O índice é de 48% para metalúrgicas, 37,5% para eletrônica, 33,3% para fundições, 20% para forjarias, 12,5% para plásticos, 10% para elétricos e 6,7% para estamparias.
A capacidade instalada nas empresas é a principal restrição ao avanço e recebeu 27,4% das citações de gargalos. Vêm a seguir falta de matéria-prima (17,9%), atraso na importação de componentes (15,5%) e problemas com subfornecedores (15,5%).
Entre as matérias-primas, o aço é o vilão em 53,9% das respostas que apontam problemas de suprimento, seguido do alumínio (15,4%), polímeros (12,8%), produtos químicos (7,7%), borracha (7,7%) e matais não-ferrosos (2,6%).
Letícia Costa considera que os resultados encontrados no primeiro trimestre do ano podem servir como referência atual na avaliação de capacidades e gargalos na cadeia de suprimento. Ela destaca como um desafio o nível de utilização em quase todos os segmentos, considerado elevado.
Ocupação
O porcentual de capacidade ociosa efetiva, medida pela utilização 24 horas em sete dias da semana, registrada alerta vermelho para forjaria (10,8%), plástico (10,2%) e borracha (5,6%). Próximo à média de 16,1% da indústria estão acabamento (19%), estamparia (17,3%), eletrônica (15,5%) e vidros (15%). Foi registrada também ‘alguma ociosidade’ no segmento elétrico (24,3%), fundição (22,5%) e metalúrgica (21,6%).
Investimento
O número de empresas que manifestou determinação de investir cresceu nesta edição da pesquisa em relação à realizada em 2008. Todas as empresas que responderam os questionários e têm capital acima de R$ 500 milhões declaram intenção de aplicar; a porcentagem cai para 95% na faixa de R$ 200 milhões a R$ 500 milhões; para 80% na faixa de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões; para 81% entre as que têm capital de até R% 50 milhões.
Qualidade
As avaliações da qualidade ao longo do supply chain indicaram que o desafio maior fica entre as empresas de menor porte (capital até R$ 50 milhões) que registraram 70,3 ppm de defeitos no recebimento contra 74,7 ppm na expedição.
Na faixa de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões as empresas registraram 2,2 ppm na entrada e 1 na saída; na categoria seguinte, até R$ 500 milhões, houve 4,4 ppm na entrada e 1,9 na saída. Já entre as maiores empresas, com capital acima de R$ 500 milhões o nível de ppm na expedição chega a apenas 0,6, contra 6,8 no recebimento.
Foto: Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria