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Sindipeças: fabricantes precisam melhorar margens

Para Ricardo Jacomassi, economista-chefe do Sindipeças, que reúne a indústria de autopeças, o fraco desempenho do setor de pesados, a fortíssima concorrência externa e as dificuldades de repasse de preços às montadoras são as razões para o fraco desempenho apresentado pelos fabricantes de componentes instalados no País. O faturamento do setor teve retração de 7,6% nos primeiros seis meses do ano. “Além destas dificuldades, nossas exportações também caíram bastante. Pegando apenas a Argentina como exemplo, mercado para o qual embarcávamos 33% da nossa exportação, a queda assinalada no semestre foi de 14,9%”, disse durante o Workshop Planejamento 2013, realizado por Automotivo Business na segunda-feira, 6, em São Paulo.
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Redação AB

06 ago 2012

2 minutos de leitura

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De acordo com o economista, quem mais tem sofrido com a competição internacional são as empresas de pequeno e médio portes (tier 2 e 3), que não conseguem posicionar seus produtos em preço similar aos dos fabricantes do exterior. “Antes as importações se restringiam aos produtos de maior grau tecnológico. Isso mudou e hoje as importações já invadiram praticamente todos os setores”, explica.

Para equilibrar o jogo, o executivo afirma que é necessário buscar financiamentos e retomar o domínio do aftermarket, onde é possível realizar maior repasse de preços. “Não podemos permitir que os chineses tomem conta desse mercado. Precisamos melhorar nossas margens urgentemente”, cobra Jacomassi. Apesar das dificuldades, o economista aposta em um segundo semestre mais equilibrado, com a retomada das vendas de pesados por conta da safra agrícola e pela possibilidade de incentivos governamentais. “Planos como o Brasil Maior e o novo regime automotivo deverão ajudar bastante nesse processo”, afirma.

Se a ajuda não vier, Jacomassi acredita que outras demissões poderão ocorrer. “O nível de emprego caiu 6,5% na primeira metade do ano. Entretanto, acredito que as demissões que tinham de acontecer já foram realizadas. Com a retomada prevista para o resto do ano deveremos ter uma tranquilidade maior nesse sentido.”

Apesar de não ter a receita perfeita para o sucesso, o economista aproveitou o evento para apresentar algumas sugestões interessantes para 2013. Manter o endividamento reduzido, negociar com antecedência linhas de financiamento pré-aprovadas e desenvolver mix de produtos alinhado com a demanda do mercado são as principais necessidades. “Também é importante implantar programas de qualidade e de lean manufacturing e acompanhar as variáveis econômicas que influenciam o segmento.”

O executivo garante que o setor está preparado para atender um possível aumento da demanda puxado pelo novo regime automotivo. Jacomassi afirma que hoje os fabricantes de autopeças trabalham com ociosidade de 25%. “Investimentos também deverão ser realizados com a confirmação dos novos planos governamentais, o que permitirá atender quaisquer oscilações de demanda”, afirma.