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O Sindipeças atualizou as previsões para produção de veículos e analisou o comportamento da balança comercial de autopeças. Em reunião com jornalistas na segunda-feira, 16, o conselheiro da entidade Américo Nesti informou que a projeção para produção de carros, comerciais leves, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas em 2010 é de 3,458 milhões de unidades, com um avanço de 4,3% sobre o ano passado. Ele estima que em 2011 serão montados 3,666 milhões de veículos, um crescimento de 6%. Em 2015 seriam produzidos 4,454 milhões de unidades.
Nesse cenário, o que preocupa a entidade é o que chama de ‘cecaderização’ na manufatura, com a importação de conjuntos de autopeças e sistemas para montagem local. Essa tendência está refletida no comportamento da balança comercial do setor, que este ano pode ser negativa em US$ 3,92 bilhões. De janeiro a julho o déficit acumulado já somou US$ 2,15 bilhões. Em 2006 o resultado foi positivo em US$ 1,98 bilhão – daí em diante a curva passou a registrar balanços negativos.
Redutor
A decisão do governo em retirar o desconto de 40% nas alíquotas de importação de componentes destinados a linhas de montagem foi uma resposta ao alarmante déficit na balança comercial, embora os fabricantes de veículos e sistemas busquem alternativas para compensar eventuais aumentos de custos. Uma saída seria produzir em países vizinhos, aproveitando as regras comerciais do Mercosul. Outra seria negociar a inclusão de produtos na ‘lista de exceções’, driblando o aumento das alíquotas, que se estenderá em quatro etapas.
O redutor de 40% vigorou até dia 31 de julho. Até 20 de outubro de 2010, será de 30%. Cairá para 20% e permanecerá nesse percentual até 30 de abril de 2011 e acabará em 1º de maio de 2011. A renúncia tributária com a medida será de R$ 132,35 milhões, segundo o governo.
Gargalos
Nesti disse que não há sinais de desabastecimento na cadeia de suprimentos automotivos, apesar do aquecimento do mercado. Ele admite que há dificuldades pontuais, mas nada que leve a interrupções na produção. Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, compartilha da mesma opinião e explica que eventuais problemas decorrem de melhor comunicação entre compradores e fornecedores: “A cadeia de suprimentos é longa e pode demorar a reagir. Foi o que aconteceu na saída da recente crise, especialmente no caso de veículos comerciais”.
O Sindipeças tem dito que os investimentos setoriais são da ordem de US$ 1 bilhão por ano. O levantamento promovido pela entidade no primeiro trimestre do ano detectou a disposição de realizar aplicações da ordem de R$ 3,6 bilhões.
Argentina
O Sindipeças apresentou também projeções para a produção na Argentina, incluindo máquinas agrícolas. Este ano o país vizinho deve montar 635 mil unidades, avançando 21,7% sobre 2009. A estimativa para 2011 é de 736 mil unidades, um crescimento de 15,9%. Em 2014 devem ser montados 926 mil veículos.
O Uruguai tem um mercado interno da ordem de 33 mil veículos leves e pesados.
Foto: Américo Nesti, conselheiro do Sindipeças.